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Los Angeles à vista: Roman Polanski perde recurso legal

O sistema judicial da Califórnia confirmou hoje que Roman Polanski terá mesmo de voltar a Los Angeles para a leitura da sentença e cumprimento da pena aplicável.

Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles

A Suiça tinha, basicamente, pedido aos americanos que, na presença de actos cometido há 32 anos dos quais não resultaram vítimas ainda à espera de justiça, considerassem a possibilidade de revisitar o caso em tribunal sem forçar o arguido a estar presente. Foi por isso que pediram que um um juíz de instância superior confirmasse o pedido de extradição feito pela procuradoria distrital há cerca de 3 meses.



Hoje, em Los Angeles, Peter Espinoza, juíz do supremo tribunal da Califórnia reafirmou que: não, Roman Polanski não pode ser julgado e condenado in abscentia. Portanto: sim, tudo indica que o cineasta terá de ser recambiado à força.



Foi em Janeiro que ficara decidido por um juíz distrital que Polanski teria de comparecer em tribunal dos Estados Unidos no seguimento de um caso de violação e fuga. O realizador pedira para não ser extraditado, sujeitando-se assim à justiça americana mas sem a enfrentar. O compromisso não parece ter sido aceite: um tribunal superior ao primeiro confirma agora que Polanski não pode ser julgado à distância. Vai ter mesmo de comparecer na cidade que abandonou quando a polícia lhe tinha dado ordens para ficar.



Polanski começou por fugir para Londres, onde mantinha casa quando não estava a atrabalhar para os estúdios em Hollywood. Mas, por causa dos tratados entre o Reino Unido e os EUA, sentiu-se obrigado a procurar asilo em França, um país que lhe era familiar. Desde 2005 que as autoridades americanas têm a circular, com o nome dele, um mandato de captura internacional.



Depois de imposta uma caução de 4.5 milhões de dólares, Polanski mantem-se actualmente sujeito a prisão domiciliária no casarão que comprou em Gstaad. Polanski geralmente reside em Paris mas desembarcou no aeroporto de Zurique no seguimento de um convite que lhe havia sido feito pelo festival de cinema local.



Semanas antes, em Los Angeles, um dos jornais diários da indústria do cinema, o Daily Variety, referiu numa coluna marginal que Polanski iria ser beneficiado por uma homenagem em Zurique, e que os organizadores do tributo contavam com a presença dele. Tantos anos passados sobre os acontecimentos -- e sobretudo agora que até a Academia das Artes do Cinema lhe deu o óscar de melhor realizador, pelo filme O Pianista, com o qual Polanski confirmou que a carreira ia muito bem apesar de não trabalhar em Hollywood -- acredita-se que a polícia de Los Angeles tenha sido alertada pela notícia. Não foi a Interpol ou a CIA. Foi apenas uma notícia pequena escrita por alguém que, como muita gente, julgava que o caso estava, de facto, encerrado.



A Suiça tem-se visto entre a espada e a parede, tentando equilibrar o estatuto centenário de neutralidade com a necessidade de acalmar as autoridades americanas, ultimamente apostadas em regulamentar o sistema financeiro de modo a evitar outro colapso económico. Especula-se que a Suiça está a usar Polanski como moeda de troca na batalha mais recente que opoe a administração Obama aos segredos bancários que são o ganha-pão da maior indústria suiça.



O realizador de origem polaca encontrava-se a trabalhar em Hollywood quando, numa noite em 1977, na residência do amigo Jack Nicholson, recorreu a bebidas alcoólicas e medicamentação vária na companhia de uma menina de 13 anos que, mais tarde, o acusou de actos considerados predatórios e mesmo criminosos. Polanski seguiu, de início, os vários trâmites do sistema judicial americano mas, em desespero de causa e após ter sido sujeito a testes psiquiátricos e às muitas hesitações de um juíz pressionado politicamente, decidiu fugir para a Europa.