Siga-nos

Perfil

Expresso

Notícias de Hollywood

Farrah Fawcett ignorada por Hollywood

Farrah Fawcett morreu vítima de um cancro no cólon, aos 62 anos

Rene Macura/AP

Até morta Farrah Fawcett foi ignorada por Hollywood. Ou, pelo menos, pela Academia, quando, na cerimónia de entrega dos Óscares, a retrospectiva de artistas falecidos ao longo de 2009 não incluiu o nome da loiraça de "Os Anjos de Charlie".

Rui Henriques Coimbra, em Los Angeles (www.expresso.pt)

A omissão levou muita gente a perguntar o que se passou para que Farrah Fawcett fosse outra vez negligenciada em favor de outras pessoas com menos peso no domínio da fama, que é aquele em que Hollywood parece habitar.

A primeira explicação poderia ser: Farrah Fawcett era, sobretudo, uma actriz de televisão. Mas isso não acalmou os críticos da Academia. Michael Jackson foi incluído embora o seu domínio fosse o musical, com incursões menores em filmezinhos da Disney, como "Capitão Eo". Além disso, Farrah Fawcett também fez filmes.

Omissão intencional

Um deles, "Extremities", começou por ser uma peça na Broadway, protagonizada por Susan Sarandon. Fawcett era uma actriz ambiciosa que nunca teve papeis à altura. Mesmo no dia da morte - de cancro, um processo que ela manteve disponível via programas de TV mas que nunca descambou para o porno-exibicionismo tão em voga hoje no pequeno ecrã - foi ultrapassada nos noticiários pelo falecimento, no mesmo dia, do cantor Michael Jackson - isto a 25 de Junho do ano passado.

A Academia de Hollywood defendeu-se dizendo que todos os anos há pessoas famosas, entre elas actrizes, que não cabem no formato e no tempo atribuído a tais retrospectivas. Ou seja, a omissão não foi negligência. Foi intencional. Ryan O'Neill, o companheiro da actriz em muitos anos conturbados, já se mostrou desiludido com o atitude da Academia do cinema.

Hollywood, através dos estúdios Sony Columbia, fez há tempos mais de 500 milhões de dólares com dois filmes estreados nos cinemas e que foram baseados na série de televisão "Os Anjos de Charlie". A série foi vendida em muitos países em parte por causa da beleza solar representada por Farrah Fawcett, uma miúda do litoral texano e que antecipou a vaga de Pamela Andersons que apareceriam muito mais tarde.

Desorganização geral no tributo aos mortos

O tributo aos artistas falecidos é um momento emblemático dos Óscares, porque lembra o fim de muitos talentos que, naquele mesmo ecrã, ainda há pouco obtiveram as suas maiores glórias. Mas, este ano, parece ter caído vítima da desorganização geral.

Dos falecidos, um actor respeitadíssimo como Karl Malden mereceu a menção diminuta do costume, mas o realizador Hohn Hughes, que continua a ser visto como um gosto adquirido, teve direito a uma assembleia dos seus antigos actores. Muitos apareceram no palco como se tivessem ressuscitado na sepultura, ou, pelo menos, de um centro de reabilitação.

Na retrospectiva dedicada aos filmes de horror, disse-se que o último filme dessa veia a ser reconhecido pela Academia foi há 37 anos, com o "Rosemary's Baby", de Roman Polanski. Dado que há cerca de 20 anos o horrendo Hannibal Lecter meteu medo a tanta gente antes de ganhar os prémios todos, o mínimo que se leva a crer é que a Academia não deve ter grande cabeça, nem para Farrah Fawcett nem para a matemática. O que, talvez, confirme a vertente artística daquela associação.