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Expresso

À mesa com José Quitério

Boa Mesa: Bons momentos

A caldeirada real ostenta um quarteto de luxo: garoupa, linguado, vieiras e polvo. Tudo Gourmet.

José Quitério (www.expresso.pt)

Momento Gourmet Rua Neves de Sousa 11C - Oeiras Tel.219 243 299 (Fecha aos domingos. Jantares só quintas, sextas e sábados) Seguindo pela auto-estrada de Cascais (A5), diz-se-lhe adeus pela saída Porto Salvo/Cacém. Na rotunda imediata toma-se a direcção Lagoas Park. Quando se chega à rotunda seguinte, vira-se à esquerda. Anda-se o suficiente até chegar ao Wind Club. Ora aqui temos já dois emblemas da Oeiras moderníssima (com nomes na língua imperial e tudo). Lagoas Park, um centro de negócios com 14 edifícios de escritórios e equipamentos de apoio como um hotel de quatro estrelas, centro de congressos, clube de saúde, colégio, galeria comercial e área de comidas, ocupando 46 hectares. Inserido num tal Parque Super Wind, o Wind Club, dotado de restaurante, bar e sala multiusos, destina-se sobretudo à prática de windsurf num lago artificial. É praticamente defronte da entrada clubística que vamos encontrar a Rua Neves de Sousa (imediatamente antecedida da Fernando Pessa). Num prédio em frente, nº 11C, o agora desejado restaurante Momento Gourmet.

Espaço interessante o da sala restaurativa, dominado por uma convexidade em forma de chaminé de paquete, chão de madeira nova, brancos e cinzentos por paredes e tecto, portas envidraçadas, cadeiras estofadas em bege amarelado, mesas bem atoalhadas e ajaezadas, prontas a dar guarida a uma trintena de usuários.

Numericamente, a lista apresenta 2 Sopas, 7 Entradas, 2 pratos de bacalhau, 4 de outros Peixes, 5 de Carnes, 1 Vegetariano e 1 Infantil. De segunda-feira a sexta, aos almoços, o que vem designado por menu executivo mas que na realidade são pratos do dia, dois em cada, um retirado da lista (a preço um pouco mais baixo), o outro inédito. No almoço de sábado já deve estar em vigor o bufete de cozido. O estilo de cozinha alia uma base nacional a múltiplos contributos forâneos, em busca de alguma modernidade anti-rotineira.

Momentos de provas. Com uns filamentos de vegetais, a "sopa de rabo de boi" (€4) não era de pacote e soube bem. O "estaladiço de camarão com molho aioli e mel picante" (€8,50) redundou em cinco unidades envoltas em fina massa croustillante, só os rabinhos com casca para se lhes poder pegar à mão, conjugação feliz quer com a maionese provençal com alho quer com outro molho, ambos em colheres de porcelana. Muito bom o cilindro tartárico com cebola e ovo cozido picadinhos a fazerem companhia ao octópode e um molho enleante no "tártaro de polvo em pão dourado em azeite com misto de salada verde" (€5,50). O "misto de pataniscas de polvo, camarão e bacalhau" (€7) trouxe duas de cada ingrediente básico, todas de recheio rico, textura branda e correcta fritura, com a companhia esplêndida e original de rebentos de rabanete. Muito agradável e valorizada a "brandade de alheira de caça com ovo de codorniz escalfado sobre tosta e salada de cogumelos" (€6).

Bacalhau impecável, apenas a carecer de um pouco mais de azeite, purés afinados e outra vez o delicioso apimentado dos rebentos de rabanete no "lombo de bacalhau confitado em azeite sobre purés de grão e de espinafres" (€16). A "caldeirada real" (€14,50) ostentou um quarteto de luxo - garoupa, linguado, vieiras e polvo -, com sua porção de batata, saborosa, porém com tomate excessivo, quase a tender para a tomatada.

Carne e pele da galinha-da-índia apetecíveis e assessoria convincente na "pintada crostada em quatro pimentas sobre espargos verdes a vapor, feijão branco cremoso e cogumelos selvagens" (€12,50). Em relação à "perninha de cordeiro de leite assada lentamente, com espinafres salteados e batatas em cebolada" (€18), o único senão foi a pouca soculência da carne. Saborido e inspiradamente complementado o "cachaço de porco preto confitado em vinho tinto, com migas de batata e enchidos do mesmo e ananás braseado" (€13,50).

Cinco doces esmerados e não vulgares enformam valiosamente as sobremesas, mais um misto de queijos regionais. A carta de vinhos, embora com tudo datado, proveniência geográfica indicada e pequeno comentário, está curta: 29 tintos, 14 brancos, 2 verdes brancos, 3 champanhes e 1 espumante. Serviço competente e amável.

Este Momento Gourmet abriu em Junho de 2009, deve-se à iniciativa de três sócios e amigos (Pedro Frazão, Miguel Marques e Raul Sardinha), e tem como chefe de cozinha o ainda jovem (31 anos) João Dias, já com diferenciado percurso profissional em Inglaterra e cá. Aqui, tudo se liga para se poderem passar bons momentos de satisfação gastronómica.



Ver mapa maior Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Abril de 2010