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Expresso

A vida de saltos altos

Ver pernas musculadas é pouco islâmico

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Durante a Copa Asiática as iranianas deram que falar

Sabiam que as mulheres iranianas estão proibidas de assistir a eventos desportivos onde participem homens, há mais de trinta anos? Tudo porque depois da revolução no Irão foi considerado que essa seria uma prática "pouco islâmica". Mas essa proibição pode estar prestes a acabar, uma notícia que surge poucos dias depois do perdão dado a Ghoncheh Ghavami, que foi presa em 2014 precisamente por tentar assistir a um jogo de voleibol. Tão surreal, quanto verídico.

Em junho do ano passado Ghavami foi barrada à porta de um estádio em protesto contra o facto de as mulheres não poderem assistir a eventos desportivos com homens. Tanto protestou que acabou por ser presa, mas nunca lhe passaria pela cabeça qual seria o veredito do julgamento: um ano de prisão por fazer "propaganda anti-regime". Com a ajuda dos advogados acabou por ficar em prisão domiciliária enquanto aguardava a decisão final após recurso. Na semana passada chegou o perdão oficial.

Esta semana o Irão foi surpreendido pelas declarações oficiais do ministro do Desporto, que garante que até ao próximo ano as mulheres poderão passar a assistir a eventos desportivos. Uma decisão que já tinha sido posta em cima da mesa em janeiro passado, após imagens de fãs iranianas de futebol a assistirem a futebol durante a Copa Asiática terem corrido o mundo.

"Há desportos que são apenas do interesse e dos homens"

Segundo uma notícia que li no The Guardian, na Austrália vivem cerca de 34 mil iranianos, grande parte deles apaixonados por futebol. A prova disso é que durante a tal Copa Asiática chegaram a ser contabilizados mais de 20 mil a assistirem a jogos da equipa iraniana, entre eles milhares de mulheres que finalmente puderam ver, sem medos, um jogo da seleção do seu próprio país. As imagens dessas iranianas, pintadas com as cores da sua bandeira, a torcerem entusiasticamente pelos futebolistas correram os jornais internacionais e deram que falar.

Agora o país parece querer dar um passo em frente, mas ainda não é totalmente claro em que termos o fim desta proibição poderá acontecer. Ao que parece as mulheres não poderão assistir a todas as modalidades  porque, segundo o mesmo ministro, "há desportos que são apenas do interesse e dos homens" e só poderão assistir a jogos em pavilhões. Será que ele acha que ao ar livre as pernas dos jogadores se veem melhor? Mesmo em clima de mudança, viva a misoginia senhor ministro!

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