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A vida de saltos altos

Um papão chamado impotência

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"Encosta-te a mim", disse ele num desabafo. Que a impotência e a raiva estão interligadas, todos sabemos. Mas que o amor é o grande elo entre as duas, eu só descobri agora.

Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

Sei que costumo escrever semanalmente aquilo que muitos me dizem ser posts "picantes" ou "bem-dispostos" (gosto particularmente desta segunda descrição). Mas hoje, desenganem-se aqueles que olharam para o título e acharam que iria fazer outra dissertação irónica, com larachas de caráter duvidoso pelo meio.

Hoje sou impotente. E quando digo isto não falo do que se passa à noite debaixo dos lençóis lá de casa. Falo sobre aquela sensação que acredito que todos os que estão a ler isto algum dia sentiram: Queria poder repartir a dor de alguém e simplesmente não o posso fazer. Porque a vida é assim. Porque mesmo que eu quisesse galgar o mundo, esvaziar a conta bancária ou bater em alguém para mudar isso, não seria possível. E eu, que odeio conformismos, desta vez tenho de me conformar.

Na realidade, quantos de nós já quisemos ficar doentes para poupar alguém que amamos de o estar? Quantos já quisemos ser nós a ser despedidos, para minimizar a deceção de alguém que vê deitados por terra os anos de entrega a uma carreira? Quantos já quisemos ter uma poção mágica para curar um coração alheio partido? Quantos quisemos ter sido heróis para impedir uma morte? Quantos de nós já chorámos de raiva por uma dor que, na realidade, não é nossa?

"Encosta-te a mim"

Há alguém (entre muitos outros alguéns) que hoje está sem fazer a mínima ideia de como será o dia de amanhã. Não que algum de nós o saiba, mas quando se está entre hospitais e diagnósticos que ditam um futuro que nunca mais poderá ser igual, acredito que a sensação de indefinição seja aterradora. Alguém que na grandeza da sua coragem é capaz de dizer: "Não te preocupes. Só preciso que, assim que seja possível, te encostes a mim".

É nesses momentos que (re)descobrimos a profundidade dessa coisa tão complexa chamada coração, cujo alcance vai muito além do cliché do romance. E hoje, definitivamente sei que essa raiva que tantas vezes digo abominar, mas simplesmente não consigo deixar de sentir, é claramente uma forma de amor. Tão simples como isso: amor.

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