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Expresso

A vida de saltos altos

Um número a reter: 2000 mulheres e crianças

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Reuters

Leiam bem estes números: 2000 mulheres e meninas, em pouco mais de três meses. Mas podem ser mais, muitas mais as vítimas de rapto por parte do grupo terrorista Boko Haram desde o início deste ano. Os dados sobre os sequestros de mulheres na Nigéria foram ontem avançados pela Amnistia Internacional e são, no mínimo, chocantes.

Do pouco que se consegue apurar, sabe-se que muitas delas foram mortas ou transformadas em noivas forçadas e escravas sexuais dos soldados daquela milícia radical islâmica. Mas a verdadeira realidade das atrocidades e horrores que estas mulheres e crianças podem estar a passar é uma incógnita.

Ontem fez precisamente um ano que 276 meninas foram sequestradas no liceu de Chibok. Cerca de 50 escaparam aos extremistas, mas mis de 200 continuam desaparecidas. O que lhes aconteceu ou está a contecer ninguém sabe. A única certeza é a de que vivem um pesadelo a que as autoridades nigerianas ainda não conseguiram pôr fim.

"Nunca vos esqueceremos", diz Malala. Será mesmo assim?

Dados da Amnistia Internacional referem ainda que já aconteceram pelo menos 38 casos de sequestro em massa feitos pelo Boko Haram. E segundo a Unicef, cerca de 800 mil crianças já foram obrigadas a fugir das suas casas por causa do conflito no noroeste da Nigéria.

Ontem voltou-se a falar disto, mas falar não chega. Houve declarações oficiais, relatórios e notícias em jornais um pouco por todo o mundo. E uma mensagem escrita que ficou no ar: "O meu nome é Malala. Sou uma paquistanesa da vossa idade e faço parte dos milhões de pessoas que vos aconchega, e à vossa família, nas nossas orações. Não conseguimos imaginar os horrores pelos quais já passaram, mas fiquem a saber disto: nunca vos esqueceremos."

Esperemos que a Nobel da Paz, Malala Yousafzai, tenha razão e que realmente a comunidade internacional não se esqueça destas mulheres e crianças. Criar uma hashtag (#bringbackourgirls) não é suficiente para ajudar ao fim desta horrenda violação dos direitos humanos de tantas inocentes.

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