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A vida de saltos altos

Um (irritado) manifesto feminino sobre os WC públicos

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Paula Cosme Pinto, sapato nº38 (www.expresso.pt)

Este é um daqueles textos sobre nada de supostamente muito importante mas que já fez correr muitas palavras pouco charmosas da boca de saltos altos do mundo inteiro. A minha incluída. Este texto vai ser sobre portas de casa de banho públicas. Interessante, hein? Se são mulheres, vão ver que sim. Ora bem, o que pretendo é fazer um manifesto público aos senhores (vá, quero acreditar que não há senhoras a cometerem este erro) que desenham WC públicos. Eu, enquanto mulher que usa mala diariamente, peço-vos encarecidamente que não se esqueçam de incluir nos vossos fantásticos designs uma coisa tão simples como... txan txan txan txaaaan: um cabide. Não precisa ser grande, nem ter vários ganchos. Basta um. E assim evitam uma crise de nervos feminina a cada minuto que passa. Se não percebem desde já tanta indignação, deixem-me que vos diga que o equilibrismo do "alívio" numa casa de banho pública, habitualmente suja, já não é por si só coisa fácil. Há collants para descer, saias para levantar, um alvo para acertar sem termos propriamente uma "espingarda" que possamos apontar para a ocasião... Enfim, escuso de descrever o momento. Mas imaginem que no meio deste malabarismo ainda há uma mala no ombro. Que balança com os nossos movimentos. Que se abre repentinamente deixando cair o conteúdo todo no chão. Chão esse, onde ninguém se atreve a pousar seja o que for a não ser as solas dos sapatos.

À falta de cabide juntem um buraco no chão...

O "problema" não é exclusivo de Portugal. Que na Índia, que por acaso até nem foi o caso quando o WC existia, não usem cabides, muito bem. Mas que aqui na Europa, supostamente tão avançada, isto aconteça permanentemente não se percebe. Lembro-me de, por exemplo, um dia estar de visita às ruínas romanas, em Roma, e enquanto visitava o museu me ter dado vontade de ir ao WC (acontece, escusam de fazer comentários mal-cheirosos). Não só não havia cabide na porta, como em vez de uma sanita havia um buraco no chão. Se o equilibrismo já não é fácil com uma ligeira flexão de pernas, imaginem quão impossível é de cócoras. Não é agradável, meus senhores. Por mais que isto pareça um assunto de teor muito parecido àquilo que fazemos no WC e que é uma palavra que não posso escrever aqui, agradeço a quem conheça alguém que se dedica a portas de casa de banho que apele pelo fim deste inconveniente. É algo muito simples e indolor, inclusive para a carteira. Um mísero cabide não há de custar assim tanto, quando falamos de orçamento milionários de centros comerciais, aeroportos, hospitais e demais grandes empreendimentos onde, recorrentemente, isto acontece. A Vida de Saltos Altos agradece... e fica assim com menos uma justificação para se ir à casa de banho aos pares.

Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598

Saiba mais sobre o livro:

Um livro lançado... em Saltos Altos (vídeo e fotogaleria) Blogue mais feminino do Expresso chega às livrarias (vídeo)

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