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Expresso

A vida de saltos altos

Tem 100 anos e bateu mais um recorde de natação

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A centenária japonesa bateu mais um recorde na sua categoria

Há cerca de um ano lembro-me de ter ido com um grande amigo a casa da avó dele e de me ter deparado com uma imagem inesquecível: prestes a fazer 90 anos, a dona São estava em cima de um escadote, com um rolo de tinta na mão a pintar o teto da cozinha. À pergunta "Avó, o que é que está a fazer aí em cima?!", a resposta não podia ser mais simples: "Isto estava a precisar de levar um jeitinho. Não te preocupes, estou velha mas não estou morta!".

Nessa altura a dona São fez-me lembrar outra avó que conheci em viagem. Com mais de setenta anos, a senhora turca andava a viajar sozinha, de mochila às costas, pela Ásia durante vários meses. "Paula, os anos passam mas a idade está na nossa cabeça. A minha filha, por exemplo, nunca viria fazer esta viagem", disse-me ela na altura. Ambas são mulheres que não se rendem aos anos de vida. Tal como a japonesa Mieko Nagaoka, que tem estado a dar que falar ao tornar-se na primeira centenária a conseguir completar uma prova de 1.500 metros de natação livre numa piscina semi-olímpica.

"Quero nadar até aos 105 anos"

Mieko começou a nadar aos 82 anos, como forma de terapia para as maleitas nos joelhos. Ganhou gosto pela atividade e achou que não era tarde demais para começar a competir. Hoje é raro conseguir encontrar adversários na sua categoria (dos 100 aos 105 anos), mas mesmo assim faz questão de competir: consigo própria, como forma de auto-superação.

Aos longo dos últimos anos viajou pelo mundo e conquistou 24 títulos da Federação Internacional de Natação, lançou um livro sobre a sua experiência e agora acaba de ultrapassar mais uma das suas metas aos fazer estes 1500 metros de costas. Pasmem-se: em uma hora e dezasseis minutos (eu nem meia hora seguida a nadar consigo, e digamos que tenho idade para ser bisneta da senhora...)

Mas engane-se quem acha que Mieko quer ficar por aqui: "Se conseguir viver até lá, quero nadar até ter 105 anos!". E pelo caminho não perde a esperança de fazer parte do Livro dos Recordes do Guinnness.

Não sei o que vocês acham, mas para mim é altamente refrescante e encorajador encontrar histórias assim.

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