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Expresso

A vida de saltos altos

Síria: um dos vídeos que devemos voltar a ver de vez em quando

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Ontem voltámos a ler notícias sobre um novo ataque do Governo sírio com recurso a armas químicas. Mais uma família perdeu a vida e engrossou a longa lista de mortos resultantes do conflito na Síria. Por mais que se tente, é verdadeiramente inimaginável a dimensão desta gigante crise humanitária que se arrasta há quatro anos.

O relatório elaborado em conjunto por 21 organizações de defesa dos direitos humanos - que se tornou público na semana passada - tentou fazê-lo e aquilo que pode ser descrito em números é assustador. Já morreram mais de 200 mil pessoas na Síria, sendo que mais de 76 mil dessas mortes aconteceram em 2014, o ano mais sangrento do conflito. Ao contrário do que seria esperado, o acesso à ajuda humanitária não melhorou: há quase 5 milhões de cidadãos a quem o apoio não chega, por viverem em áreas quase inacessíveis. Para muitas destas pessoas, bens essenciais como acesso a água potável ou comida são já uma miragem.

O relatório diz ainda que 5,6 milhões de crianças sírias precisam de ajuda, um aumento de 31% face a 2013. Cerca de 2,6 milhões não podem ir à escola e outros dois milhões vivem em campos de refugiados em países como Líbano, Turquia ou Jordânia. Infâncias roubadas, adolescências destruídas, vidas que ficarão para sempre marcadas pela guerra. Caso sobrevivam.

"Lá porque não está a acontecer aqui, não quer dizer que não esteja a acontecer"

Que as várias partes do conflito não cumpriram a sua palavra no que diz respeito à proteção dos civis já todos percebemos. Mas este relatório foi mais longe e  apontou também o dedo às Nações Unidas (inclusive aos países-membros do Conselho de Segurança) e à sua incapacidade de tornar viáveis as resoluções tomadas há um ano, precisamente no sentido de maior proteção desses mesmos civis. As Nações Unidas, em resposta, apontaram o dedo às grandes potências internacionais, acusando-as de falharem na ajuda às vítimas do conflito. E a cada dia que passa nesta troca de galhardetes - que a mim me parece muito pouco produtiva - o número de mortos sobe. E é isso que nenhum de nós deveria esquecer.

Ontem voltei a ver um vídeo da associação Save the Children que mais ou menos há um ano me deixou a pensar. É verdade que os media estão formatados para escreverem com a perspetiva da "proximidade" como critério. Nós, leitores, é o que regra geral preferimos ler. Mas há conflitos que não se podem simplesmente tornar banais e desaparecer da nossa vista só porque já se arrastam há muito tempo. Hipocrisias à parte, não pode haver nada de banal ou de normal num conflito que dura há mais de quatro anos e que já destruiu a vida de tanta gente.

É por isso que partilho hoje convosco o tal vídeo, que vale a pena ver até ao fim e refletir. A verdade é que "lá porque não está a acontecer aqui, não quer dizer que não esteja a acontecer".

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