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A vida de saltos altos

Porque os homens também choram

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Já não acontece só às mulheres: os homens também são vítimas de violência doméstica. Num caso ou noutro, esta deve ser denunciada, as vítimas protegidas e os transgressores condenados. (Com vídeo)

Sofia Rijo (sapato nº39) (www.expresso.pt)

Quem me conhece sabe que sou acérrima defensora dos direitos do Homem e que me indigno sempre que leio ou vejo mais uma notícia sobre a violência dos homens contra as mulheres. No outro dia falava sobre isso com um amigo meu e prometi-lhe escrever sobre o outro lado do espelho, mostrando que eles também sofrem.

Se por uma lado é desprezível que, em pleno século XXI, as mulheres continuem a ser vítimas de violência doméstica, hediondo é também o facto de, cada vez mais, se assistir à violência da mulher contra o homem, muitas vezes - se não na maior parte delas - através da pressão psicológica, manipulação e intrépidos joguetes familiares.

Do alto da sua masculinidade, eles ainda têm vergonha em afirmar que são violentados, alvo de perseguição e que esta violência não se mede em equimoses, mas em nódoas negras emocionais, que ferem o corpo, mas sobretudo a alma. E quando existem filhos, estes servem de desculpa para uma violência que não é física mas é psicologicamente atroz.

Palavra de homem

Quis falar com alguém para que as palavras não fossem apenas estatística e com o João troquei sentimentos e desabafos de uma vítima no masculino. Divorciado, com 40 anos e pai de dois filhos, de 4 e 6 anos.

Do testemunho fica algum pudor e até vergonha em falar a verdade mas, acima de tudo, a força de quem leva a vida em frente e desabafa: "Uma mulher consegue levar um homem à loucura na pressão incansável que faz sobre a sua família, a sua mãe, os seus amigos, as suas ações mais inofensivas. Em maior ou menor escala, praticamente todas o fazem. A constante insatisfação de uma mulher face ao que considera ser o homem ideal, incinera autoestimas dos seus companheiros diariamente. E, naturalmente, pode levar a questões muito mais graves".

É violência quando homem ou mulher privam o cônjuge de estar com filhos

Apesar da revolta diz que sempre esteve na linha da frente, no que respeita à defesa das mulheres, mas cansado de viver com o inimigo desabafou: "Se mudares o género verás que o crime é o mesmo e existe na mesma proporção, só que tem menos estatística por duas simples razões: os homens ainda têm vergonha de o denunciar; os homens perdem em tribunal se a mulher disser que é tudo mentira. Pior, se uma mulher for colocada perante um juiz e disser que é vítima destes crimes, o homem é culpado até prova do contrário. Se for o homem a denunciar, a mulher é inocente até prova do contrário. Como vês a violência contra os homens também toma várias formas, tanto pode ser física, como psicológica, emocional, verbal, económica e sexual. O objectivo da pessoa que agride é sempre o de controlar a vítima, isolá-la, torná-la frágil e insegura. O agressor é frequentemente a mulher, a companheira ou a namorada, mas também pode ser a ex-mulher, a ex-companheira, ex-namorada, mãe, irmã e filha".

"A coragem vê-se em quem defende minorias, não maiorias"

Perante este testemunho senti a obrigação de mostrá-lo aos homens, não para desculpá-los mas para lhes mostrar que a violência existe e que não devem temer denunciá-la, porque sempre que se calam tornam-se coniventes com uma situação inaceitável, quer seja no masculino quer no feminino. 

"É violência quando homem ou mulher privam o cônjuge de estar com filhos. Após a separação é uma prática criminosa hedionda e nojenta aceite como algo normal entre as mulheres. Nunca vi ou tive conhecimento de uma amiga que tentasse demover outra de privar o marido de ver os filhos após a separação. Pelo contrário. Que espécie de ser joga com o que de mais sagrado há para um progenitor? Desculpa o desabafo, mas cada vez tenho menos esperança de ver uma mulher a escrever sem medo sobre o que as mulheres são capazes de fazer (e fazem) aos homens dentro e fora das quatro paredes. Não desprezo e jamais desprezaria a violência contra mulheres. Desprezo sim as análises que continuam a dar o enfoque nessa tónica, simplesmente porque há menos dados públicos do contrário. A coragem vê-se em quem defende minorias, não maiorias".

Tomei a liberdade de escrever. Não podia deixar um amigo silenciado na dor, se antes lhe tinha pedido para se colocar na linha da frente. A violência contra os homens existe, assim como contra as mulheres, como tal deve ser denunciada, as vítimas protegidas e os transgressores condenados.

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