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Expresso

A vida de saltos altos

Paula Cosme Pinto

Mulheres salgadas e sem vergonha

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Eis o projeto Salty Girls, de Ian Pettigrew

Depois de verem estas fotos e ouvirem as histórias destas mulheres, acho que muita gente poderá mudar de perspetiva em relação ao seu próprio corpo". Palavras de Ian Pettigrew, o fotógrafo canadiano que está a dar que falar com o projeto "Salty Girls: The Women of Cystic Fibrosis".

O nome escolhido remete precisamente para um dos sintomas da fibrose cística: a pela salgada. Uma forma de trazer algum bom-humor e leveza a uma doença hereditária que tem uma incidência de 1 em cada 2.000 - 4000 nascimentos por ano na Europa. E que deixa mazelas físicas duríssimas, que invariavelmente influenciam em muito a percepeção e aceitação corporal de quem dela sofre.

Ian, que também sofre da doença, cruzou-se com inúmeros outros pacientes ao longo da sua própria jornada e deixou-se inspirar pela resiliência e capacidade de aceitação de algumas das mulheres que encontrou pelo caminho

Depois de se ter aventurado num livro de retratos sobre os portadores da fibrose cística, decidiu então fazer um ensaio fotográfico dedicado apenas às mulheres. Intencionalmente a puxar à sensualidade, teve como objetivo não só chamar à atenção para uma doença cujas mazelas são ainda desconhecidas de muitos de nós, mas também incentivar jovens meninas e adolescentes que se deparam com um corpo mutilado ainda em tenra idade.

"Muito deste projeto tem a ver com a questão da vergonha corporal", contou o fotógrafo numa entrevista ao Huffington Post. "As mulheres que não têm cicatrizes já vivem mal com o seu corpo graças à pressão dos tempos de hoje. Agora imaginem o que é crescer com múltiplas cicatrizes de quistos na barriga ou de um transplante de pulmão. Ver quão positivas estas mulheres conseguem ser na sua própria pele é altamente inspirador."

Uma cicatriz não define uma mulher

Ao todo foram já mais de 60 as mulheres, entre os 20 e os 40 anos, que pousaram sem pudores para este ensaio fotográfico, que deverá culminar numa grande exposição. Mais de metade já sofreu transplante duplo de pulmão, mas não há cicatriz que as faça sentirem-se menos mulheres.

Sorriso aberto, poses confiantes, semblantes tranquilos, sem medos. São imagens que, acima de tudo, transpiram auto-aceitação e beleza. Mulheres que aprenderam com a vida que não é uma cicatriz que as define no seu todo.

Podem vê-las aqui na totalidade, mas decidi partilhar desde já algumas que me ficaram no olho. Ian Pettigrew tinha ou não tinha razão quando disse aquela frase que abriu este texto?

DR

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