Siga-nos

Perfil

Expresso

A vida de saltos altos

Mais um vídeo dedicado aos "idiotas" dos clientes Ryanair

Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

Ora bem, quem me conhece sabe que sou amante de viagens e que consigo as maiores pechinchas de todos os tempos na Web. Sou fã de companhias low-cost , é certo. Mas há uma coisa que não sou: "idiota". Quando em setembro o CEO da Ryanair meteu os pés pelas mãos e acabou por chamar "idiotas", em praça pública, aos clientes que se esqueciam de imprimir os bilhetes, não gostei e pus de lado qualquer vontade de voltar a viajar com uma companhia que se permite a tais faltas de respeito. E depois de ontem ler mais uma história, do largo rol que a companhia irlandesa vai juntando ao seu negro currículo, mantive firme a minha decisão.

A história dos "idiotas" remetia para uma família de cinco pessoas que tinha ido passar férias a uma isolada vila espanhola e que, sem Internet disponível para imprimir os bilhetes, teve de pagar 60 euros por pessoa para poder embarcar. Ora bem, eu até percebo que regra é regra e que toda a gente deve levar o bilhete impresso... mas 60 euros?! Um bocadinho demais, não? Pelos vistos, o CEO da Ryanair acha que não e quando aquela mãe pôs a circular nas redes sociais a sua indignação por aquele valor, a resposta foi: "Trata-se de uma mãe que que pagou 300 euros por ser uma idiota e não cumprir o acordo com a companhia no momento da reserva da viagem". Mais tarde, ao tentar justificar aquelas palavras, foi mais longe: "Eu não lhe chamei idiota a ela, mas sim a todos os passageiros que acham que vão conseguir mudar as nossas regras e taxas". Bom, eu cá diria que o idiota é este senhor, que perde toda a razão que até tinha e mete em risco a imagem de uma companhia aérea com a sua falta de respeito e pouco tento na língua... mas adiante.

Mulher acaba por ser expulsa de um avião

Ontem, mais uma vez às voltas nos jornais ingleses e espanhóis, encontro este vídeo de uma passageira que acabou por ser expulsa de um avião da Ryanair por transportar mais do que uma peça de bagagem de mão. Além de um "pequeno saquinho" - como repetem os outros passageiros no vídeo - a senhora levava um livro e rolo com um poster, que excedia  as dimensões impostas pela companhia. Acabou por ser tirada do avião pela Guarda Civil espanhola, sob o espanto dos outros passageiros que repetidamente gritavam "que vergonha, que vergonha!".

De acordo com a imprensa espanhola, a mulher que pôs este vídeo no seu perfil do Facebook contava que a passageira expulsa tinha tentado explicar que não a deixaram pagar com cartão de crédito a bagagem extra no momento do embarque. Já a companhia diz que ela forçou a entrada e que foram obrigados a chamar as autoridades. O que realmente se passou é difícil de perceber, mas isto dá-me que pensar. Mais uma vez, sei que regras são regras e que a companhia é explícita quanto às dimensões da bagagem de mão... mas é preciso chegar a este ponto? Claro que os clientes não podem simplesmente fazer o que querem, mas onde para o bom senso? Será que um livro e um rolo de cartão fazem assim tantos danos a um voo para não deixarem esta senhora embarcar?

Companhia low-cost ou... at all costs?

Até nem me importo de viajar em assentos mais estreitos do que é costume e que, volta não volta, me ameacem de que muito em breve até uma ida ao WC vai ser cobrada naqueles aviões. Também fecho os olhos a que as dimensões de bagagem de mão assinaladas pela Associação Internacional do Transporte Aéreo sejam de 56cm x 45cm x 25cm e que nesta companhia seja de 55cm x 40cm x 20cm. Irrita-me ver a "caça à taxa de bagagem extra" no momento do embarque, com filas de pessoas a serem obrigadas a passar pelo teste do tamanho da mala quando estão nitidamente dentro das dimensões corretas. Quase que parece a inegável caça à multa de estacionamento a que assistimos ultimamente por parte das nossas autoridades, mas também tento não valorizar. Uma companhia de baixo custo tem de ter as suas regras para conseguir apresentar voos a tais preços. Mas, convenhamos, há limites.

Quando oiço histórias de má vontade como esta, vinda de uma companhia que repetidamente surge na imprensa internacional por causa de aterragens de emergência e pilotos que se queixam de que são obrigados a viajar com o mínimo de combustível possível para que o voo saia mais barato, já me importo. E muito. Convém que, de uma vez por todas, percebam que ser "low-cost" é diferente de ser "at all costs". Até mesmo um "idiota" percebe isso.

Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598

Saiba mais sobre o livro:

Um livro lançado... em Saltos Altos (vídeo e fotogaleria) Blogue mais feminino do Expresso chega às livrarias (vídeo)

A Vida de Saltos Altos também está presente no Facebook. Na página desta popular rede social qualquer um pode ser fã deste blogue. Clique para visitar.