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Expresso

A vida de saltos altos

Madonna foi violada e nunca pediu ajuda. Porquê?

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Em 2013 Madonna revelou ao mundo que tinha sido vítima de violação nos anos 70, quando se mudou para Nova Iorque. Na semana passada, em entrevista a Howard Stern, explicou por que é que - tal como tantas outras vítimas - nunca pediu ajuda ou apresentou queixa na polícia: "Já foste violada. Simplesmente já não vale a pena. É demasiado huilhante."

Talvez a explicação não pareça suficiente, mas se pensarmos bem na forma como, na larga maioria das vezes, o processo acontece quando se dá esse passo, tudo se torna mais claro. Primeiro o trauma. Seguido invariavelmente de sentimento de culpa e repulsa. Depois ser-se sujeito a exames físicos íntimos nos dias seguintes é altamente doloroso, em muitos casos impossível. Por fim reviver pormenorizadamente um episódio do género deve ser uma experiência por si só traumatizante. E ter de o fazer perante pessoas que têm de pôr como hipótese que tudo seja mentira não deverá ser menos do que humilhante.

Claro que todos sabemos que é preciso fazê-lo. Que é essencial pedir justiça. Mas também é preciso que a justiça funcione e que a vítima esteja rodeada de apoio, seja das autoridades, dos amigos e da família. Muitas vezes os mesmos que lhe apontam o dedo, levantam a dúvida com um "tens mesmo a certeza?", lhe fazem sentir vergonha ou pedem silêncio "para o bem de todos".

"Fui violada mas sou inquebrável"

Não me espanta, portanto, que nos últimos tempos se tornem públicos cada vez mais casos - como o que envolve Bill Cosby, por exemplo - de pessoas que foram violadas há décadas e que só agora conseguem denunciar o crime. Dar o passo de o fazer pode ser também um passo na cura de uma ferida que, por mais que seja escondida, nunca chega a sarar totalmente.

Foi a pensar nisso que surgiu o projeto Unbreakable - The Art of Healing. Começou em 2011 com a missão de chamar à atenção para a violência sexual nos Estados Unidos, sugerindo a sobreviventes que fossem fotografados juntamente com uma frase de libertação escrita por si. Quatro anos depois a adesão é tão grande que o conceito foi alargado para as questões da violência doméstica também. Galgou fronteiras e conta com imagens angustiantes vindas um pouco de todo o mundo, tiradas pelas próprias vítimas.

A equipa que criou o projeto dá atualmente palestras em escolas para sensibilizar os jovens nesta matéria. O que para muitos não passa de uma fotografia, para outros é um momento de coragem e libertação. E é impressionante constatar que a violência sexual continua a  acontecer debaixo do nosso nariz, seja em namoros de adolescentes, no seio familiar, em festas de amigos ou nas ruas de cidades à partida seguras.

O silêncio não é solução. Mas quando vemos frases como as que vos mostro em baixo ele torna-se mais compreensível. Espreitem.

 

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

Foto do projecto Unbreakable The Art of Healing

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