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A vida de saltos altos

Israelitas despiram-se para apoiar a bloguista egípcia

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Cerca de 50 israelitas participaram na foto de apoio à egípcia Aliaa

Paula Cosme Pinto, sapato nº38 (www.expresso.pt)

Na semana passada escrevi sobre Aliaa Magda Elmahdy, a estudante egípcia que, em protesto contra contra o "sexismo" e a "hipocrisia" do seu país em relação aos direitos das mulheres, ousou publicar fotos suas nua num blogue, tornando-se num verdadeiro escândalo nacional. Uma semana depois, um grupo de israelitas tirou também a roupa em solidariedade à jovem de apenas 19 anos, que desde a publicação das imagens é alvo de perseguição e severas ameaças.

"O amor sem fronteiras, em homenagem a Aliaa Elmahdy. Irmãs em Israel". Escrita com letras garrafais numa longa faixa que tapa parte do corpo das muitas israelitas que se desnudaram para a foto, a mensagem serviu também de mote para a convocação, via Facebook, de mulheres solidárias com a causa.

A imagem que se tornou um escândalo nacional no Egito

A imagem que se tornou um escândalo nacional no Egito

A força já inegável das redes sociais levou a que cerca de 50 se juntassem, incluindo a própria mãe da jovem de 28 anos que teve a iniciativa. A "raiva por ver milhares de mensagens insultuosas àquela jovem egípcia" serviu de motivação a Or Tepler: "Não aceito que uma mulher receba ameaças de morte porque deseja expressar a sua opinião livremente. Fizemos esta foto não só pelas relações entre os dois países, mas acima de tudo pelo diálogo de uma mulher para outra, em busca da liberdade de expressão e tolerância". À imprensa local, as mulheres que participaram nesta foto acrescentaram que "este ato é importante para que os próprios israelitas despertem da intolerância em que ainda vivem".

"Mostrem que não têm medo". Mas elas têm motivos para o ter.

Na mesma imagem, aparece um outro cartaz com a frase: "Mostrem que não têm medo". Mas a realidade é que mulheres que vivem sob o extremismo islâmico, como Aliaa, têm sérios motivos para ter medo. Muito.

Lembro-me de na semana passada um dos leitores ter dito que achava que uma mulher que usasse a nudez para chamar a atenção era uma "attention whore". Não sou adepta do uso e abuso da imagem do corpo feminino. Muito pelo contrário, condeno-o na maioria dos casos. Mas como diria outro leitor, a única atenção que Aliaa pode arranjar com a publicação das suas fotos nuas "é uma chuva de pedradas em cima". Literalmente. Algo que nenhuma jovem do mundo ocidental algum dia sequer pensaria se fizesse o mesmo. E isso, não tenho dúvidas, faz com o caso mude totalmente de figura.

Julgo que a atitude de Aliaa foi tudo menos infantil. Diria mesmo que reflete maturidade e um belo par daquilo que o mundo dos saltos rasos tem abaixo da cintura e que não me fica lá muito bem dizer aqui. Aplaudo a iniciativa israelita e espero, sinceramente, que as acções de apoio se multipliquem e que o caso não seja silenciado. E, acima de tudo, que a jovem egípcia não sofra represálias por algo que para nós é tão simples mas que noutros pontos do mundo ainda está longe de ser uma realidade: liberdade de expressão. Porque tal como também diriam os leitores na discussão do artigo anterior, "Direitos Humanos são Direitos Humanos, neste caso, é a cultura que deve mudar! Cambada de pseudo-nostálgicos". Nem mais.

Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598

Saiba mais sobre o livro:

Um livro lançado... em Saltos Altos (vídeo e fotogaleria) Blogue mais feminino do Expresso chega às livrarias (vídeo)

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