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Expresso

A vida de saltos altos

Galdérias portuguesas vão sair à rua em protesto (fotogaleria)

Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

Decotes, mini-saias, collants de rede, calças bem justas ao rabo, saltos altos (como não podia deixar de ser), vestidos provocantes: no próximo sábado, as mulheres portuguesas vão dar largas à imaginação (e ao guarda-roupa) para saírem à rua na primeira "Slut Walk" (qualquer coisa como "Marcha das Galdérias") em Portugal.

Começaram em abril e confesso que tenho vindo a assistir com alguma curiosidade às proporções que estas "SlutWalks" contra o machismo têm ganho. A ideia partiu de um grupo de mulheres canadianas, após as declarações de um polícia que dizia: "as mulheres devem evitar vestir-se de forma provocante se não quiserem ser violadas". A indignação do mundo dos saltos altos espalhou-se como um rastilho e a "Marcha das Galdérias" chegou a mais de 70 cidades, desde Sidney, a Londres e Brasília. Será um sinal de que comentários tão idiotas como o deste senhor polícia são, afinal, comuns nos mais diversos países? Parece que sim.

Ontem li o manifesto da marcha portuguesa - que acontece em Lisboa, pelas 17h30, desde o Largo Camões ao Rossio - e fez-me sentido: "Recusamos totalmente a culpabilização das mulheres face a situações de violência sexual. Recusamos a cumplicidade com a agressão e com quem agride, seja pelo silêncio ou pela benevolência". Já aqui escrevi várias vezes esta frase e hoje volto a dizê-lo: nada justifica uma violação.E se é preciso irmos para a rua, descascadas, em protesto para conseguirem perceber isto, então que seja.

Não é não!

Tenho amigas que adoram usar micro-saias. Outras gostam de pôr o ombro de fora, em camisolas justas, sensuais. Eu própria sou adepta dos decotes e das pernas ao léu em vestidos vaporosos. Mas isso faz de mim "uma galdéria que está mesmo a pedi-las"? Não me parece. E faço minhas as seguintes palavras, do manifesto português:

"Se ponho um decote... Não é Não! Se pus aquelas calças de que tanto gostas... Não é Não! Se uso burqa... Não é Não! Se durmo com quem me apetece... Não é Não! Se sou virgem... Não é Não! Se passo naquela rua... Não é Não! Se vamos para os copos... Não é Não! Se me sinto vulnerável... Não é Não! Se sou deficiente... Não é Não! Se saio com xs maiores galdérixs...Não é Não! Se ontem dormi contigo... Não é Não! Se sou trabalhadora sexual... Não é Não! Se és meu chefe... Não é Não! Se somos casadxs, companheirxs, namoradxs... Não é Não! Se sou tua paciente... Não é Não! Se sou tua parente... Não é Não! Se sou imigrante ilegal... Não é Não! Se tenho relações poliamorosas... Não é Não! Se sou empregada de hotel... Não é Não! Se tens dúvidas se aquilo foi um sim, então... Não é Não! Se és padre, imã, rabi ou pujari... Não é Não! Se beijo outra mulher no meio da rua... Não é Não! Se sou brasileira, cabo-verdiana, angolana ou de outro país que sofreu colonização... Não é Não! Se tenho mamas e pila... Não é Não! Se disse sim e já não me apetece... Não é Não! Se sou empregada doméstica... Não é Não! Se adoro ver pornografia... Não é Não! Se ando à boleia... Não é Não! Se estamos numa festa swing, numa sex party ou numa cena BDSM... Não é Não! Se já abrimos o preservativo... Não é Não!

NÃO é sempre NÃO. Quando é SIM, não há ambiguidades ou dúvidas porque sabemos o que queremos e sabemos ser claras".

Depois disto, a mim já não me resta dizer mais nada, a não ser: alguém ficou com dúvidas?

 

Veja aqui algumas imagens de "SlutWalks" noutros países:

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