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Expresso

A vida de saltos altos

Estacionamento para mulheres... e se virar moda?

Na capital da Coreia do Sul levam à letra o ditado "mulheres a conduzir é para fugir" e há estacionamento exclusivo para elas. Seremos azelhas ou é preconceito? Com vídeo

Liliana Coelho (sapato nº 37) (www.expresso.pt)

Há notícias do Oriente que me deixam de olhos em bico. Sabem da última? Na China foi inaugurado um centro comercial com estacionamento exclusivo para mulheres ao lado das vagas para deficientes. Os lugares são pintados de cor-de-rosa, têm mais um metro de largura e contam também com mais iluminação, segundo a revista "Time".

A ideia nasceu em Seul. Desde 2007 que a capital da Coreia do Sul tem criado vagas de estacionamento para os saltos altos. Hoje são quase 10 mil lugares exclusivos. Aliás, esta medida integra o projecto "Mulheres Felizes, Seul Feliz", que visa criar a primeira cidade amiga do sexo feminino.

Gentileza ou machismo, pergunto eu? Não será esta mais uma medida sexista? Quando falamos de igualdade de género, não estamos assim a cultivar estereótipos? Seremos más condutoras ou um desastre a estacionar? Pelo menos as estatísticas dizem que não. Se pensa que as mulheres são perigosas ao volante, desengane-se. Segundo um estudo da Universidade de Columbia, as mulheres têm menos acidentes que os homens e aliás são eles que provocam 80% dos desastres potencialmente mortais. Quanto ao estacionamento, cada caso é um caso, mas por norma se fazemos mais manobras é porque somos mais complicadas, mas também mais precavidas. Queremos manter a distância de segurança, só por prevenção.

Seul: A cidade amiga da vida de saltos altos

Voltando à política 'Woman-friendly' de Seul, há medidas também de aplaudir. Por exemplo, a construção de passeios regulares, que evitam acidentes com os saltos altos, como acontece frequentemente na calçada portuguesa. Resultado? Menos pés torcidos e saltos rachados e, sobretudo, mais conforto para as mulheres que têm uma jornada de trabalho pela frente.  Mas as medidas não ficam por aqui, o principal objectivo consiste na criação de emprego para mulheres que abandonaram as carreiras para educar os filhos, estimando-se 28 mil novos postos de trabalho. Uma política que vai ao encontro da prioridade de qualquer mulher - conciliar a vida profissional e familiar . Certo é que a igualdade de género continua longe de ser uma realidade, com as mulheres a saírem mais prejudicadas. Talvez a (in)consciência disso nos leve a falar em sexo forte. Irónico, não?