Siga-nos

Perfil

Expresso

A vida de saltos altos

Escola 'zero' em deveres

A educação e a disciplina estão encaixotadas ao serviço de burocratas das estatísticas.

Raquel Pinto (sapato nº37) (www.expresso.pt)

O Ministério da Educação divulgou esta semana um relatório no qual iliba a Escola Básica Luciano Cordeiro de quaisquer responsabilidades na morte de Leandro, o menino de 12 anos que se atirou ao rio Tua, e afasta ainda a hipótese de bullying. Remete para o "reforço de segurança quanto à vedação do recinto e controlo das entradas e saídas".

É sistemática a impunidade de direcções, professores inaptos, alunos (as) grosseirões, exibicionistas, com valores à deriva e abandono de pais. A Câmara de Mirandela anunciou, entretanto, que vai abrir um inquérito para averiguar quem deixou as crianças sair do estabelecimento: se a direcção da escola autorizou ou se foi o porteiro que não cumpriu a sua tarefa, e que, caso se confirme, arrisca a expulsão da escola e da Função Pública.

Sacudir a água do capote. Direccionam-se os holofotes para 'bodes expiatórios', para o elo mais fraco da corrente, leis medíocres, vedações de recintos, videovigilância. A escola não é inocente. A responsabilidade é de todos, com os pais a figurarem no topo da lista. E quando se demitem do seu papel, por falta de tempo, ou porque simplesmente não sabem como fazê-lo, é dever da Escola, enquanto instituição, assumir também a protecção e a formação dos futuros homens e mulheres do país.

Basta de paninhos quentes

Trata-se de cidadania, do respeito pelo outro, de um problema social que não se resolve com paninhos quentes, quando as escolas são penalizadas na avaliação por denunciarem actos de violência. Os professores resumem-se a meros funcionários administrativos, apáticos à disposição de cada um e subjugados a quotas e a estatísticas falaciosas? Onde andam as regras duras e exemplares para os desordeiros?

A disciplina e a educação estão na borda do prato. A Escola desculpa tudo, oferece as guloseimas de recompensa das suspensões e anula as expulsões. Tolera as agressões entre alunos, ignora a violência entre professores e alunos e fecha os olhos às queixas disciplinares nos livros de ponto.

É preciso dar atenção às bolhas antes de rebentarem. Investir em técnicos especializados para ajudar na prevenção de situações de violência. Dar real autoridade aos docentes. Estimular a participação activa dos encarregados de educação.

Na Escola sobrevive-se. É urgente "apagar" o medo, atribuir direitos e deveres e desta forma rumar à verdadeira inclusão. Para que não haja consciências amputadas.