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Expresso

A vida de saltos altos

Erotismo ou desporto?

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Galina Musina chegou a treinar oito horas por dia, todos os dias, para conseguir alcançar o título de campeã mundial. Tem 22 anos, é russa e no domingo passado recebeu uma medalha de ouro, uma conquista tão desejada quanto a vontade de reconhecimento desportivo da modalidade que pratica: dança do varão.

Para muitos a dança do varão não passa de algo relacionado com casas de striptease. Mas a conotação erótica e sexual desta arte já há muito que vai sendo ultrapassada um pouco por todo o mundo. Há quem se dedique a ela a tempo inteiro e faça dela carreira. Quem entre em competições, inclusive, mundiais. E no fim de semana passado foram mais de trinta os homens e mulheres profissionais da dança do varão que se reuniram em Pequim para o grande Campeonato Mundial da modalidade.

Basta espreitar no YouTube as prestações dos últimos anos para ficar de queixo caído. E ganhar uma boa dose de respeito por estes e estas dançarinas. Sim, o que fazem é altamente sensual. Mas acreditem: um tango ou uma kizomba dançados com entrega também podem parecer uns grandes preliminares, e já ninguém vê estas danças como atividades de bordel.

Desejo vs força de vontade

No meu caso, há uns anos decidi experimentar uma aula de dança do varão quando a modalidade começou a fazer furor entre as mulheres portuguesas. Garanto-vos: não é fácil. Mesmo nada fácil. Experimentem e logo vão perceber o que vos digo. Algo à partida tão simples como rodopiar no varão tem um grau de técnica bem apurado. E a força de braços e abdominais que esta dança exige é digna de atleta olímpico.

Aliás, é essa agora a grande discussão entre estes profissionais: prometem não cruzar os braços até a prática ser considerada uma modalidade olímpica. Podemos até brincar com isto e dizer que no kamasutra também há posições que mereciam presença nos grandes Jogos. Mas para essas atividades, a paixão e a força do desejo tem muita força. Já nesta, a paixão também está lá, mas é a força de vontade que fala mais alto.

E se a força de vontade é de aplaudir de pé, há histórias de superação neste universo que a mim me deixam perplexa. Por exemplo, em 2012 a grande vencedora foi uma australiana com apenas um braço. Deixo-vos em baixo os vídeos das duas atuações. Digam lá se isto não existe uma dedicação e esforço incríveis?

Atuação de Galina Musina

 

Atuação de Deborah Roach

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