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Expresso

A vida de saltos altos

Eis as norueguesas que estão a dar que falar

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Estão descontentes com as medidas do seu governo e temem pelo futuro das suas carreiras. Posto isto, o que é que um grupo de estudantes da Noruega decidiu fazer como forma de protesto: uma música com uma letra altamente política e um vídeo. O resto foi o poder das redes sociais.

Vestidas de macacão verde, elas conduzem tratores, fazem coreografias com pás e ancinhos na mão, alimentam gado e comem hambúrgueres. Pelo meio ainda perseguem uma personagem em muito parecida à ministra da Agricultura norueguesa Sylvia Listhaug. Intitulada "Norway Needs the Farmer", a canção tem uma mensagem política bem irónica e conseguiu pôr jornais de todo o mundo a falar sobre os problemas da agricultura na Noruega.

Em causa estão medidas anunciadas pela ministra, como a redução dos salários dos agricultores ou o aumento do tamanho das propriedades existentes, de forma a tornar as produções mais alargadas e consequentemente reduzir os preços de venda dos produtos agrícolas.

A arte de não ficar calado

Estas estudantes universitárias não concordam com o rumo que o sector pode tomar e decidiram então literalmente arregaçar as mangas e demonstrar o seu desagrado. Podiam ter saído à rua, mas decidiram usar as redes sociais para tentar captar a atenção internacional. O resultado é esta música que já levou a que o gabinete de imprensa da ministra fizesse um comunicado oficial e tudo.

Mais do que tudo o resto, é um belo exemplo de como o pior que podemos fazer quando vivemos em democracia é ficar calados. E hoje em dia há tantas formas de nos fazermos ouvir. Pena que por cá ainda sejam tão poucos os jovens que compreendem a enorme mais valia que isto é (tal como o direito ao voto, que tantos teimam em vergonhosamente esquecer na hora de ir às urnas. Olhando para os últimos números da abstenção, será graças ao exemplo que têm dos pais?). 

Com quase 300 mil visualizações, em menos de duas semanas, estas meninas estão a tornar-se num hit do YouTube. É certo que não são tão virais quanto os novos vídeos da nossa Ana Malhoa, mas para jovens agricultoras (a cantar numa língua como esta) não está mesmo nada mal, pois não?