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A vida de saltos altos

É tão fácil explicar às crianças quando o dinheiro não estica mais (vídeo)

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Uma criança a quem se ensina a gerir bem o dinheiro ganha responsabilidade e noção de esforço, ao mesmo tempo que passa a dar mais valor ao que conquista

Ana Areal (sapato nº37) (www. expresso.pt)

Os conflitos entre pais e filhos sobre o dinheiro são recorrentes e, normalmente, prolongam-se no tempo: desde de que são crianças - em que pedem aos pais tudo e mais alguma coisa - até à idade adulta, sobretudo quando ainda não são independentes financeiramente (isto para não falar de muitos filhos que mesmo após sairem de casa e terem emprego ainda continuam a recorrer à carteira dos pais).

A melhor forma de evitar este tipo de conflitos ou dependências (agravados nos tempos que correm devido à crise, que parece ter vindo para ficar e que cada vez mais se faz sentir) é darmos aos nossos filhos, logo desde pequenos e ao longo do seu percurso, uma educação económico-financeira que seja sensata e ajustada à realidade em que se vive.

Para o próprio bem dos filhos, torna-se importante perceber quando é necessário ser forte e dizer "não" (recorde aqui o meu texto Birras e fúrias dos miúdos são fogo, mas resolvem-se), mesmo quando a situação financeira permite ceder no que eles pedem. Só esta noção ajudará a sedimentar a sua própria independência económica e a desenvolver uma auto-estima forte. Porquê? Porque quando as coisas são conseguidas por mérito e esforço próprio têm um sabor completamente diferente. São encaradas como vitórias, o que, naturalmente, reforça o amor-próprio.

Seja um (bom) exemplo a seguir se... conseguir

A melhor forma de ensinar os seus filhos a administrar o dinheiro é você administrar bem o seu. No entanto, se a sua postura em relação a gastos não for a mais correta ou a mais eficaz, não deve deixar que isso a iniba de educar os seus filhos no sentido do que sabe estar certo. Nestes casos, com certeza que a mãe ou o pai (ou ambos) não quererão que o filho passe pela mesma ansiedade em que muitas vezes se encontram, tudo por não terem feito uma gestão bem-sucedida das suas finanças pessoais.

Claro está que é um exercício difícil de pôr em prática: não saber gerir dinheiro e ensinar a fazer o contrário, mas felizmente que nem sempre isso é prejudicial. É que apesar de as crianças aprenderem mais com o exemplo que vêem na prática do que com o que ouvem na teoria, mesmo que a mãe seja uma péssima administradora de finanças, isso não significa necessariamente que os seus filhos herdem a sua falta de habilidade financeira. Pelo contrário, por vezes até pode induzi-los a um desejo de quererem gerir ainda melhor as finanças domésticas. Quem o explica é a jornalista de economia, Justine Trueman no seu livro ""Detox your finances", dirigido às mulheres que querem gerir melhor as suas finanças. Justine sublinha bem que são importantes as mensagens que as crianças vão recebendo sobre o dinheiro. Por isso mesmo, enquanto mãe ou pai deve ter o cuidado com o que transmite. Por exemplo: você é daquelas pessoas que incentiva os filhos a economizar ou tem a postura do género "quando morrer o dinheiro não vai connosco para a cova"? Convém perceber qual destas duas é a correta, ou pode estar a condenar os seus filhos a terem uma vida com sérias dificuldades quando forem adultos.

Justine Trueman refere quatro elementos-chave que são fulcrais e que deve abordar quando explicar o mundo das finanças aos seus filhos.

1. Gastos (ou despesas)

São o mais fácil de explicar a uma criança, já que os próprios miúdos estão muito familiarizadas com esse elemento, tendo a perfeita noção que o que pedem implica precisamente gastar dinheiro. Por isso mesmo, há que transmitir que o dinheiro se deve gastar em bens necessários e que o restante deve ser aplicado de forma correta e responsável. É importante sensibilizar uma criança colocando-a perante opções de gastos. Por exemplo: "o dinheiro que temos só dá para uma coisa das duas que queres. Qual preferes?". Desta forma sentirá a responsabilidade de ter de tomar uma decisão, o que a ajudará, entre outras coisas, a amadurecer.

2. Poupanças

O conceito de poupar é demonstrar como as crianças podem alcançar o seus objetivos, basta que saibam ser pacientes. Por exemplo: se guardar as pequenas quantidades de dinheiro que vai recebendo, pode ao fim de um tempo finalmente comprar a tal bicicleta tão desejada.

Um bom truque é pedir a uma criança que escreva ou diga quais são os seus objetivos financeiros para um novo ano. A seguir, sente-se com o seu filho e ajude-o a elaborar uma estratégia para alcançá-los. As crianças adoram solucionar problemas, sobretudo se a recompensa final for algo que queiram muito.

3. Investimentos

Este elemento não é o mais fácil de explicar a um miúdo, sobretudo se a criança ainda for muito nova. No entanto, existem alguns bons jogos de tabuleiro que ensinam a aplicar o dinheiro em coisas úteis. É o caso do Monopólio, ou do Ethica, dois exemplos de jogos educativos para explorar o impacto social e ambiental dos bancos, investimentos e negócios.

No seu livro, Justine Trueman refere ainda uma competição anual de bolsa entre estudantes, a Shares4Schoo, muito útil e didática, onde os participantes criam um portfólio de ações e competem com crianças de outras escolas. A ideia é ensinar os petizes a investir no mercado bolsista, sendo que, em muitas ocasiões, essas crianças não só conseguem obter resultados acima do desempenho desse mercado, como também de muitos profissionais da área, conta a jornalista.

4. Caridade

Este é um elemento fácil de introduzir nas crianças. Os miúdos gostam de se sentir úteis, sobretudo no que toca a ajudar alguém. Há vários estudos que mostram que o envolvimento de crianças em obras de caridade não só aumenta a auto-estima, como também contribui em muito para o desenvolvimento da sua própria identidade.

Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598

Saiba mais sobre o livro:

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