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Expresso

A vida de saltos altos

É egípcia e passou 42 anos a fingir que era um homem

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Sisa foi condecorada pela sua coragem

Ela é uma mulher mas durante os últimos quarenta e dois anos partilhou a mesa de café com outros homens no Egipto, fez as suas orações nas zonas das mesquitas dedicadas a eles, trabalhou nas obras e conseguiu sustentar sozinha a sua filha. Como? Fingindo que era um homem. E embora numa sociedade patriarcal como a egípcia isto possa ser um escândalo, Sisa Abu Daooh foi condecorada pelo próprio Presidente do país como a mãe mais corajosa do Egipto.

Se há histórias incríveis de resiliência e coragem, a de Sisa é definitivamente uma delas. Durante os últimos 42 anos trabalhou na construção civil e depois conquistou o seu lugar como engraxador/a de sapatos. Garante que nunca fez questão de esconder o seu segredo, mas também não o revelava por vontade própria. E foi graças a ele que conseguiu garantir que não teria nem de tolerar uma vida dependente de um casamento forçado, nem que a sua filha passasse fome.

Segredo para se proteger da violência: um bastão de madeira

A decisão de alterar a sua identidade aconteceu quando tinha 22 anos e ficou viúva. Sem dinheiro e com uma filha bebé, viu-se entre a espada e a parede. Uma vez que não era bem aceite que as mulheres trabalhassem, a sua única solução era enfrentar um casamento arranjado pela família. Ou então fingir que era um homem e conseguir ganhar o seu próprio dinheiro.

Sisa optou pela segunda hipótese. Enfrentou a família, rapou o cabelo e vestiu umas calças e um traje tradicional masculino, que lhe ocultavam as formas femininas. Aos poucos foi aprendendo a imitar os gestos dos homens para tornar mais credível o seu disfarce, enquanto lidava com a dureza dos trabalhos pesados dados às classes mais pobres. Para enfrentar as agressões dos que descobriam o seu disfarce costumava andar com um bastão de madeira e sempre que era preciso fazia valer os músculos que ganhara a trabalhar como homem.

Ao longo dos anos foi esquecendo como era ser mulher, mas não se arrepende. Nem tem intenções de voltar a vestir-se de forma feminina. "Valeu a pena, consegui criar a minha filha". Se o amor materno não é isto, então eu não sei o que será.

 

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