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Expresso

A vida de saltos altos

Debaixo do véu das muçulmanas...

Se no Irão, o líder religioso atribui a culpa dos terramotos às mulheres, no Afeganistão os maridos podem até negar comida quando elas não querem sexo. Até quando esta submissão?

Liliana Coelho (sapato nº 37) (www.expresso.pt)

Apesar dos progressos recentes, a igualdade de género não é uma realidade e é, sobretudo, no mundo muçulmano que o preconceito continua a oprimir as mulheres. Se a dança do ventre é sensual e "invejada" pelas ocidentais, em pouco mais deve haver cobiça - as notícias do Islão não páram de surpreender pela violência atroz contra elas.

Na semana passada, foi a vez do líder religoso iraniano fazer uma declaração que chocou o mundo, ao dizer que os terramotos são culpa das mulheres. Segundo Hojatoleslam Kazem Sedigh, são as roupas ousadas e os gestos promíscuos delas os grandes responsáveis pelos sismos no Irão, sublinhando que o país assistiu a milhares de mortes nos últimos dez anos, devido a esta catástrofe natural.

"Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta levam os homens para o caminho do adultério, aumentando o número de terramotos", declarou o líder religioso na Universidade de Teerão, citado pela AP. A solução, defende, passa por "refugiarmo-nos na religião muçulmana e adaptar as nossas vidas à filosofia do Islão."

No sex, no food

Já no Afeganistão a legislação vai mais longe. As mulheres de minoria xiita que se recusarem a ter sexo com os maridos podem mesmo ser privadas de comida, segundo uma lei aprovada em Agosto de 2009 e já em vigor.

O marido tem o direito de negar sustento à esposa e a custódia dos filhos pode passar para os avós paternos. Além disso, elas são obrigadas a pedir autorização aos maridos para trabalhar e no caso de serem violadas o criminoso pode ser absolvido se pagar uma indemnização, denominada "dinheiro do sangue." No mínimo inacreditável. É impossível que a comunidade internacional não tenha voz, condenando estas mulheres à opressão. Custa-me a crer que as muçulmanas sejam submissas por obediência à religião. Por isso pergunto: até quando é que o mundo islâmico vai continuar fechado e não perceber que está no século XXI?