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Expresso

A vida de saltos altos

Cem fotos de homens sem preconceitos... de saltos altos

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São todos Investigadores Principais do programa de Neurociências da Fundação Champalimaud e calçaram o saltos altos por esta causa

100 Homens Sem Preconceitos/Máxima

Há projetos que nos dão vontade de sorrir e que nos deixam a pensar: "Como é que eu não me lembrei disto antes?!". O "100 Homens Sem Preconceitos - Um Passo pela Igualdade" é um deles.

Pôr homens famosos a calçar sapatos altos em nome dos direitos das mulheres foi a ideia que a revista Máxima teve e que acaba de culminar na publicação de um livro e na inauguração de um grande exposição com 100 fotos de homens sem preconceitos. Escritores, políticos, músicos, modelos, cientistas, atletas e por aí fora, é realmente surpreendente a diversidade de caras que se encontram nestas imagens expostas a partir de hoje no Centro Cultural de Belém.

Em comum todas as imagens têm os pés masculinos com os stilettos desenhados por Luís Onofre de propósito para o projeto. Uma ideia concebida por mulheres, unidas a homens num esforço conjunto para chamar a atenção para as inúmeras situações de desigualdade de género que existem ainda na nossa sociedade.

O que os homens têm a dizer sobre as mulheres

No site que acompanhou os longos meses de produção deste projecto podem ver grande parte das fotos e ler as motivações de cada um destes homens para aceitarem ser fotografados em saltos altos. "Muitas das mulheres que conheço são verdadeiras heroínas. Calço estes sapatos por elas", explicou por exemplo o músico Kalaf Ângelo, dos Buraka Som Sistema. Já o ator Ricardo Carriço indigna-se contra a discriminação à maternidade. "Não faz sentido que o facto de poder ser mãe prejudique a mulher no mundo do trabalho. É transformar uma das suas maiores forças numa fragilidade."

Nunca imaginei ver, por exemplo, o artista Julião Sarmento de saltos altos. Mas entre os fotografados, um dos que mais me surpreendeu foi o Dr. José Rosa, cirugião plástico responsável pelo Serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do IPO. "Sabe o que me deixa feliz? Quando a mulher, passados uns anos, vem ter comigo e diz: 'Não gosto desta cicatriz.' Porque quer dizer que já confia, já se permite ser exigente". E porque a violência é também um dos tópicos amplamente mencionados, o cantor David Fonseca resume as inquietações de muitos destes homens: "É perturbante perceber que o mundo que vive à velocidade da Internet é o mesmo que aceita a violência contra as mulheres."

Aconselho-vos a espreitar este projecto, até porque os lucros do livro e da exposição revertem a favor da associação Laço, que apoia mulheres com cancro da mama. A estas senhoras que tiveram a ideia e a estes senhores que a tornaram possível,  a minha vénia.

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