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Expresso

A vida de saltos altos

"Adoro as minhas mamas, mas está na altura de as tirar"

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Claira Hermet poucos dias depois da mastectomia

Esta semana muito se voltou a falar de Angelina Jolie, que removeu os ovários como prevenção ao risco de cancro. Foi através dela que grande parte de nós ouviu falar pela primeira vez do gene BRCA1 (quando há dois anos a atriz removeu as mamas), mas há outra mulher que tem feito tudo por tudo para pôr este tópico na ordem do dia. "O meu nome é Claira Hermet. No dia 15 de janeiro vou fazer uma dupla mastectomia, uma vez que sou portadora  do gene BRCA1, que me dá cerca de 85% de probabilidades de vir a ter cancro da mama. O cancro da mama já me levou a minha mãe e a minha irmã, portanto quero fazer os possíveis para que a minha história não acabe da mesma maneira. Esta tem sido e continua a ser uma longa caminhada da auto-capacitação e pensamento positivo. É uma jornada que decidi partilhar com a esperança de conseguir ajudar outras pessoas pelo caminho".

Foi no fim de 2014 que Claira, de apenas 27 anos, escreveu estas mesmas palavras no seu blogue e as gravou em vídeo para partilhar no YouTube, Twitter e Facebook, onde já era uma personagem mediática. Sem surpresas, rapidamente se tornou também fonte de inspiração para tantas outras mulheres que vivem sob a sombra do cancro da mama e do medo de perderem a sua identidade ao se submeterem a tal operação."Foi a minha forma de dizer a mim mesma: 'Quem manda aqui sou eu, não é o cancro!", disse em entrevista ao britânico The Guardian.

Na primeira pessoa, Claira dedicou-se então a contar o dia a dia da história da sua mastectomia preventiva: sem papas na língua, de forma genuína e com uma contagiante - por vezes desconcertante - dose de sentido de humor. Desde o stress e ansiedade antes da operação, às dores do pós-operatório, às dificuldades físicas que enfrentou nesses primeiros dias e, claro, às dissertações constantes sobre o que sente pelo seu corpo: "Eu amo as minha mamas, mas está na altura de as tirar."

A lição de Claira: "Só vivemos uma vez"

Dois meses depois de o ter feito, mantém a atitude positiva e não tem dúvidas de que optar por uma mastectomia como forma de prevenção foi a melhor decisão da sua vida. Mas embora Claira consiga dar um cariz divertido a quase todos os seus relatos, engane-se quem ache que esta foi uma decisão fácil. Demorou oito anos e só aconteceu depois da morte da sua irmã, aos 25 anos (a mãe tinha morrido quando ela tinha 9). "Esta caminhada foi um despertar para mim mesma. Houve períodos de dor e de tristeza. Em que me pus em frente ao espelho simplesmente para olhar e segurar as minhas mamas. Em que pensei que nunca mais iria conseguir arranjar um namorado e que nunca me iria sentir eu mesma novamente. Tudo isto passou e agora sinto-me em paz com a minha escolha."

Hoje Claira agradece o apoio incondicional dos amigos e dos médicos que a acompanharam. E enquanto recupera dedica-se a relatar e a fotografar a sua vida de forma descontraída, como os primeiros banhos depois da operação com a ajuda de uma amiga ou as primeiras idas ao ginásio. Estrela das redes sociais, tornou-se um dos rostos da luta contra o cancro da mama e promove uma campanha de recolha de fundos para um projecto que se dedica à prevenção desta doença.

"Se há uma coisa que aprendi com tudo isto é que só vivemos uma vez. Perdi muito tempo a sentir-me infeliz, mas a morte da minha irmã foi o click para a minha mudança. Ela já não tem a vida dela, mas eu tenho a minha para viver. E vou continuar a tentar torná-la cada vez mais cheia de felicidade, positividade e sentido", frisa Claira numa crónica sua no site inglês da Cosmopolitan. Um belo exemplo de como vale a pena tentar ver a metade meia cheia do copo em vez da metade meia vazia, mesmo nas condições mais adversas.

Podem espreitar todos os vídeos de Claira aqui.