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Expresso

A vida de saltos altos

A (p)arte de Sedução

Marta Ramalho (Sapato N.º 40)

Um sedutor já não é aquela imagem cinematográfica de um galã de chapéu e cigarrilha. A arte do galanteio era uma caracteristica quase exclusivamente masculina. O termo dado a essa prática por parte das mulheres era outro.... Entretanto, a emancipação das mulheres na década de 60-70 do século passado começou a ditar outra terminologia e os Don Juans e Casanovas da vida deixaram de ter o monopólio do mercado da sedução.

A sedução não é uma característica de género, é uma característica humana. Tanto homens como mulheres sabem que possuem atributos que se usados na dose certa atraem um determinado tipo de pessoas que lhes permite satisfazerem a sua necessidade de sedução. Este jogo de atracção preenche o sedutor narcísico e o seduzido carente, numa aliança perfeita.

É claro que uma seduçãozinha sabe sempre bem. O "jogo" faz-nos sentir desejados, e isso é bom. O problema é quando a sedução é um comportamento relacional e não uma circunstância. E hoje, há cada vez mais sedutores, e claro, mais seduzidos.

Na sociedade moderna actual, os sedutores são cada vez mais porque essa forma relacional lhes dá o prazer da conquista sem nunca terem que assumir um compromisso ou a responsabilidade de um envolvimento. O compromisso porque é chato e tira a liberdade, a responsabilidade porque a partir do momento em que outro se começa a envolver com o sedutor, este passa a ser responsável por ele. O facto de ser co-criador desse sentimento pode trazer-lhe apegos que ele não quer de todo. Os seduzidos são os que não têm esta característica tão... "dinâmica" - narcisista - e cuja carência e necessidade de afecto e atenção os faz facilmente cair no deslumbramento das graças "naturais" do sedutor.

Vampiros de afectos 

Se os seduzidos não querem atrair gente desta, só saindo à rua com um crucifixo na mão e um colar de alhos ao pescoço, porque esta gente sedutora, suga-lhes todo o sangue e só param depois de estarem completamente saciados - do quão bons e óptimos e maravilhosos eles próprios são. Uma vez de barriga cheia, deixam-nos a esvaírem-se do pouco que lhes deixaram e partem em busca da próxima refeição.

Satisfazem os seus afectos sugando os afectos alheios, alimentando a sedução que têm por eles próprios. Seduzem para se sentirem seduzidos, para se sentirem amados. Escolhem as vítimas que os elogiam, que os valorizam, que os aplaudem, mas não devolvem nada em troca. Nada. Fica tudo com eles. Amam-se incondicionalmente a eles próprios mais do que a alguém tendo pouco ou nenhum sentimento verdadeiro pelo outro. Nem tão pouco se importam com o que o outro sente. Na verdade, assim que o seduzido se começa a enamorar pelo sedutor, estes saltam fora. A relação sexual nem precisa de se consumar.

O que os move é o desafio

Quanto mais proibido ou impossível for o seduzido, melhor. Menos probabilidade há de haver um vínculo, coisa de que os sedutores fogem.

Adoram mascarar a decência afectiva e a virtude moral com conceitos modernos de liberdade, mas têm pouco ou nenhum contacto com sentimentos e desejos que não sejam os seus. Por isso têm um rol de conquistas que fazem questão de manter por perto como troféus de colecção.

Não é que seja um traço de personalidade doentia, o que os sedutores não conseguem é controlar a sua vontade narcísica. O amor, é para eles uma coisa fugaz e passageira. É o sentimento que têm ao ver o desejo que o seduzido sente por eles.

E não é - também - que uns tempos de sedutores não façam bem, na verdade faz bem a toda a gente. Esse reforço de auto-estima que se suga ao outro pode - sendo circunstancial e com consciência - ter até um papel terapêutico. Mas não abusem! Um dia a corda parte...

Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme

Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)

Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano

Páginas: 158

ISBN: 9789727708598

Saiba mais sobre o livro:

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