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Expresso

A vida de saltos altos

A gulodice no Portugal das abébias

O país já está em bancarrota moral há muito tempo com as ardilosas benesses e cuspidelas na cara dos contribuintes.

Raquel Pinto (sapato nº37) (www.expresso.pt)

Sócrates e seus pupilos insistem no insustentável. O Executivo anunciou ontem que vai "honrar todos os seus compromissos" e... deu mais um passo para o temível enforcamento de Portugal. O Governo não cambaleia no que toca ao TGV, o novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo, mesmo sem capacidade produtiva e geração de riqueza capazes de alimentar estes prodígios.

Reafirma-se o investimento em projectos megalómanos já adjudicados, quando não se tem dinheiro para saldar as avultadas dívidas. E o risco de incumprimento do PEC é cada vez maior, com a imagem lá fora manchada para atrair retornos. Falta dinheiro para créditos, confiança nos mercados. As obras faraónicas são o espelho do complexo de inferioridade e provincianismo de que sofrem inúmeros homens e mulheres portugueses, aliados ao mito de ligação à Europa.

Paga o justo num país sugado

Portugal encontra-se à beira do precipício mas ninguém deu por nada. A crise era tão difícil de se prever como o vulcão da Islândia? Ninguém avisou? E o Banco de Portugal que tem a dizer? E a UE que teceu rasgados elogios ao Governo e não tomou uma posição rigorosa na altura apropriada? Há muito tempo que se alertava para o risco, défices desmesurados, endividamentos. Há muito tempo que o sistema imunitário do país está fraco.

Apregoa-se a contenção severa da despesa e assiste-se ao descalabro dos recursos públicos. As soluções anunciadas seguem pelo inevitável aumento dos impostos e cortes nos subsídios de desemprego e rendimento mínimo de inserção social.

O sr. primeiro-ministro vai vender os seus fatos Armani e proceder à lipoaspiração das banhas dos senhores e senhoras do Governo? Acabar com os desperdícios dos milhares de euros gastos em flores para São Bento e os subsídio dependentes, como a madame Medeiros de Paris, que desconhece o a-bê-cê do seu estatuto? Taxar mais quem ganha mais? Reduzir salários no BdP e CGD? Acabar com as reformas milionárias e os prémios chorudos dos compadrios? Congelamento de salários dos gestores de topo? Solidária devolução das mais valias aos cofres do Estado para evitar a falência de milhares de famílias? Ou voltar atrás nas mini férias com as tolerâncias de ponto à Função Pública?

Quem os leva a sério?!

A austeridade só acolhe alguns na democracia socrática legitimada pelo voto, onde os oportunistas vivem à sombra de um PS sem escrúpulos. À mercê do luxo de se abdicar de dias de trabalho para dias de reflexão com o seu líder religioso, atribuir privilégios a deputados, manter negócios que lhes enchem os bolsos e hipotecar o futuro do país. Um verdadeiro escândalo de sanguessugas.

Porque iremos acreditar que este despotismo socrático dissimulado vai trazer a solução se foi precisamente a sua péssima gestão que agravou a situação do País com estratégias inadmissíveis, financeiramente inexequíveis e politicamente incorrectas? Sócrates não gera confiança nem motivação com demasiadas gaffes grosseiras e gastos supérfluos no seu currículo.

É o país do regabofe perdido na incompetência. A um passo de mendigar de mão estendida pela Europa, enquanto a Política continua a dar de mamar aos seus leitões. Mas a memória é curta e às vezes dá jeito algumas amnésias. Afinal, o Benfica é campeão e o Mundial de Futebol está já à porta.

Em 2007, Sócrates não mentiu... "Cada um dará o seu melhor para um país mais justo, para um país mais pobre (...)"