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Expresso

A vida de saltos altos

A grande muralha das vaginas é nos EUA

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A Grande Muralha das Vaginas em expoisção nos EUA

Pelo menos por agora. Porque no futuro a ideia é que esta circule pelo mundo e por fim se estabeleça num museu "a sério", respeitável: "Não estamos a falar de sexo, estamos a falar de anatomia, convém que as pessoas percebam isso", garante o autor da obra que voltou a dar que que falar na semana passada.

"O que quer que tenhas lá em baixo, é normal". Foi com este lema que o britânico Jamie McCartney decidiu fazer um enorme e inusitado mural, que acaba de voltar a exibir publicamente em Colorado. Mudar a imagem corporal feminina através da arte é o seu grande objetivo e quem tiver a oportunidade de espreitar a sua "Grande Muralha das Vaginas" vai perceber porquê.

Ao todo são dez painéis com a representação de 40 vulvas em cada um deles, ao longo de oito metros. Resumindo, são 400 vulvas moldadas em gesso, para provar ao mundo - e principalmente às mulheres que vivem ansiosas em relação ao aspecto exterior dos seus genitais - que há vulvas de todos os tamanhos e feitios. E que não devem ir em cantigas quando lhes dizem que a sua "tem defeito" por causa do formato ou dimensão dos seus lábios vaginais.

Jamie McCartney decidiu começar esta sua obra de arte quando olhou para as notícias e viu que a labioplastia era uma das cirurgias estéticas em maior crescimento nos Estados Unidos e no Reino Unido. "Achei que era um género de fascismo, principalmente das indústrias que querem que as mulheres se sintam mal consigo próprias", conta o artista. "Não mudem as vossas partes, mudem antes de parceiro ou de médico quando vos dizem que têm defeito."

McCartney quer uma muralha mundial da vaginas

O artista passou então cinco anos a moldar vulvas de mulheres que se dispuseram a revelar a sua anatomia, desde uma avó de 76 anos a duas gémeas de 18 anos (podem perceber o processo aqui). Em vez de um rosto, o artista retratou cada uma delas através da sua vulva e escolheu fazê-lo em branco para "evitar qualquer conotação racial ou pornográfica". O resultado é não só surpreendente, como muito pertinente. Não esqueçamos que há uma quantidade gigante de mulheres tem pudor de olhar para a totalidade do seu corpo. Aliás, o desconhecimento feminino das caraterísticas da sua anatomia parece-me a mim uma das chaves das questões que envolvem a tal ansiedade e crença de que "são defeituosas", como diz McCartney. 

"Percebi que era uma forma eficiente de combater mensagens vindas repetidamente de cirurgiões plásticos que teimam em fazer crer que 'vocês são defeituosas se não tiverem uma vulva com a aparência da de uma criança'", explicou o artista em entrevista aos media americanos, defendendo repetidamente o cariz social da sua obra. "Apenas 5% das mulheres que moldei tinham essa aparência supostamente ideal. E eu não acredito que 95% das mulheres possam ter um defeito, não é possível."

O projecto já não é novo - há uns anos deu que falar quando foi exposto no Reino Unido - mas depois desta viagem até aos Estados Unidos o artista que ir mais longe:  fazer um novo mural mas desta vez com a participação de mulheres de todo o mundo. "Quando comecei isto em 2006 dizer alto a palavra vagina era por si só incómodo para muita gente, mas isso está a mudar. Há muito trabalho artístico a decorrer que envolve este tema. Por que não tentar?"

Esperemos que seja bem sucedido e, porque não, que passe pelo Portugal dos brandos costumes em busca de modelos. Pode ser que as mulherse portuguesas - e os homens também! - comecem a olhar com menos pudor para as vulvas. Afinal, são ou não são uma parte do corpo como qualquer outra? Não há nada de errado em querer conhecê-la.