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Expresso

A vida de saltos altos

A foto mais triste da semana

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A foto da menina síria que confundiu uma máquina fotográfica com uma arma

Uma menina de braços no ar em sinal de rendição, com a boquinha franzida e o olhar amedrontado de quem está a tentar não chorar. Tem apenas quatro anos, mas já sabe qual é o gesto que deve fazer quando está a ser ameaçada. Mas quem estava à sua frente não era um homem armado, era um fotógrafo. Para a criança não houve diferença: mais valia render-se e sobreviver.

Esta foi a imagem que na semana passada correu as redes sociais e deu origem ao repetido título de imprensa "a fotografia mais triste do dia". Partilhada no Twitter pela fotojornalista palestiniana Nadia Abu Shaban, a imagem tornou-se viral e é mais uma chamada de atenção para o conflito que se arrasta na Síria e que já vitimou mais de 200 mil pessoas.

5,6 milhões de crianças síria precisam de ajuda

Ainda há duas semanas relembrei aqui os números do último relatório sobre os quatro anos de um conflito que parece estar longe do fim: neste momento 5,6 milhões de crianças sírias precisam de ajuda, um aumento de 31% face a 2013. Cerca de 2,6 milhões não podem ir à escola e outros dois milhões vivem em campos de refugiados em países como Líbano, Turquia ou Jordânia. Infâncias roubadas, adolescências destruídas, vidas que ficarão para sempre marcadas pela guerra. Caso sobrevivam.

O medo e o instinto de sobrevivência retratados nesta imagem dizem mais do que mil palavras. E mesmo que a imagem ou a história por trás dela seja falsa - todos sabemos que não se pode confiar totalmente no que se torna viral na web - cumpre à mesma o seu propósito: servir de lembrete para uma situação que não pode, nem deve ser esquecida pela comunidade internacional. Algures na Síria há crianças de braços no ar com medo de serem mortas a tiro. E nenhuma criança no mundo deveria ter de passar por isso.

 

 

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