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Expresso

A vida de saltos altos

A decadência das despedidas de solteira

Nunca percebi essa mania de andar enfeitada por uma bandolete com um pénis pendurado, em vésperas de dar o nó. Afinal, porque têm de ser as despedidas de solteiras tão decadentes?

Paula Cosme Pinto (Sapato nº38) (www.expresso.pt)

Se há uma coisa que me irrita é estar a beber um copo e ver o bar invadido por um grupo de mulheres semi-histéricas, com pénis de plástico pendurados à cabeça numa bandolete. Terá a moça perdido a cabeça pelo dito cujo?

Nunca percebi a piada do véu cor-de-rosa, espalhafatoso, a cair nos ombros, a anunciar que a senhora em questão vai dar o nó em breve... certamente após curar a ressaca da brutal bebedeira que tende a apanhar nessa noite. Será que o cliché "beber para esquecer" se adapta ao sentimento pré-casório?

Não haverá nada mais glamouroso do que esta bandolete?

Não haverá nada mais glamouroso do que esta bandolete?

Outra tradição que me custa a entender é a passagem tantas vezes obrigatória por um bar de striptease. Um homem (ou direi gorila) oleoso a despir uma farda de polícia ao som do clássico "Sex bomb, sex bomb" não faz propriamente as minhas delícias. Esta necessidade de ver um homem nú representará, porventura, a angústia de saber que dali a poucos dias se terá de contentar com o exemplar que a leva ao altar?  

Parte-me o bolo?

Geralmente há um jantar bem regado, com conversas animadas. Até aqui, muito bem. Mas nas ditas festas a que tive o prazer (?) de assistir, 90% do tempo é passado a dizer mal dos homens. Engordam depois de casar. Desleixam-se no sexo. Não ajudam nas lides casa. São uns traidores. Ora bem, se a moça se vai casar e ter de aturar um deles, se calhar era mais simpático falar das virtudes da supostamente sagrada união... não?

Depois do jantar há a sobremesa, que provoca gargalhadas estridentes entre as participantes. Invariavelmente compra-se um daqueles bolos com formatos sugestivos, piorados com umas frases bastante duvidosas do género: parte-me o bolo. Onde está a piada disto? Não sei. Nunca dei o nó. Mas se algum o fizer, espero bem que ninguém tenha a infeliz ideia de me organizar uma festa do género.