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A vida de saltos altos

A Crise feminina dos 30 anos: a antecipação

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É como comer carne de canguru. Temos medo de odiar e faz-nos alguma impressão, mas depois provamos e achamos que é doce e até gostamos!

Solange Cosme (sapato nº39)

(Parte I)

Vamos ser honestas: esta coisa de eu ter feito 30 anos há 4 meses ainda não me tinha passado pela garganta. Estava ali, encalhada, como aquela espinha pequenina que não nos mata, mas dói que se farta e não nos deixa respirar.

Os primeiros sintomas de como eu não estava a aceitar muito bem esta minha chegada aos 30 começaram logo quando completei 29. Primeiro eram coisas sem importância (e totalmente explicáveis!) como uma vontade desenfreada de ir ver Bon Jovi ao vivo (uma das minhas bandas preferidas na adolescência), ou rever todos os episódios do "Sexo e a Cidade" (só para ter o prazer de ver um bando de mulheres fantásticas com mais de 30 anos).

Mas depois "a coisa" foi tomando contornos mais negros. Claramente decidi que tinha um problema quando dei por mim, acompanhada pelo meu irmão de 17 anos, a comprar uns All-Star e a perguntar-lhe (a ele!) "vocês ainda usam o amarelo-claro, não é? Os meus primeiros All-Star eram amarelo-claro". Crise. Pânico. Pavor. "Olá, o meu nome é Solange e estou com medo dos 30 anos". Pensava que ia melhorar... mas piorou.

Depois fiz 30 anos. Parabéns a você e trá-lá-á. "Então? Que idade tens?", "30" (entre dentes). Claro que vem logo o alívio a seguir, pois o normal é haver a simpática observação: "Não pareces nada!". Eu sorrio e dou graças a Deus ter pintado o cabelo a semana passada.

 A praga dos cabelos brancos

Quando me apareceu o primeiro cabelo branco (há quase um ano, portanto, no início da minha pseudo-crise-ai-meu-deus-que-estou-a-ficar-velha) eu ri-me e achei piada. Mas os cabelos brancos na minha cabeça parecem coelhinhos brancos à solta em prados verdejantes que a única coisa em que pensam é em "fazer o amor" com outras coelhinhas para procriar que nem loucos. Resultado: em menos de um ano a cor oficial do meu cabelo passou de "castanho" para o " 5.12 da L'oréal". A vida de uma mulher é muito difícil.

 Balzac e a maldição da mulher dos 30 anos 

Honoré de Balzac teve a amabilidade de imortalizar a mulher de 30 anos no seu livro A mulher de 30 anos, caracterizando-a essencialmente como uma mulher cheia de crises afectivas. Com esta obra nasceu a expressão "mulher balzaquiana" que retrata os conflitos que o tempo e a maturidade geram, e os problemas que uma mulher "madura" (de  30 anos) tem de enfrentar. A parte fantástica é que este romance (escrito entre 1829 e 1842) não retrata algo muito diferente do que se passa hoje em dia.  Parece que já há muito tempo que fazer 30 anos é um marco importante na vida de todas as mulheres. 

Hum... Afinal é bom! 

É como comer carne de canguru. Temos medo de odiar e faz-nos alguma impressão, mas depois provamos e achamos que é doce e até gostamos! Eis que, 4 meses depois, me vejo finalmente desperta para uma nova realidade e por isso vos escrevo sobre o assunto. É que afinal (agora em sussurro) ter 30 anos é fantástico! Estou a descobrir agora. Por exemplo, o facto de para alguns estarmos na "flor da idade" e para outros sermos umas "cotas insuportáveis" (no meu caso o "insuportável" não se aplica pois sou um doce de moça).  Mas isso vou explicar numa próxima crónica. Está prometido.

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