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Expresso

O Feminismo é para toda a gente

Esta frase é o título de um livro de Bell Hooks bem que podia servir de resumo do que, já a partir de amanhã, vai acontecer em Lisboa e no Porto, cidades que durante todo o mês de março vão ser palcos de incríveis Festivais Feministas. Mais do que uma mera celebração do género feminino, os respetivos calendários trazem-nos propostas que promovem o debate e a reflexão conjunta sobre a forma desigual com que as mulheres continuam a ser tratadas mundo fora. E assumirmos coletivamente esta discriminação histórica é meio caminho andado para que a mudança – necessária - possa acontecer.

No Porto, o Festival Feminista já acontece desde 2015. Este ano chega à capital, e ambos os calendários estão recheados de eventos que podem despertar consciências para a realidade díspar que vivemos também por cá. É fácil olharmos para a evolução da condição feminina em Portugal e pensarmos que muito já foi alcançado, e que a paridade é um dado adquirido. Claro que as últimas décadas foram pródigas no que toca aos direitos das mulheres, basta pensarmos que há 50 anos ainda vivíamos num país onde o sufrágio universal não existia e cuja lei dizia que a mulher devia obediência ao pai ou ao marido, por exemplo. Sim, o acesso à educação, o crescimento da presença feminina no mercado laboral e na política, a melhoria dos direitos sexuais e reprodutivos, a visibilidade na esfera pública e demais aspectos estão a léguas de distância do que foram outrora. Mas não, não chega.

Portugal continua a ser um país machista

Portugal continua a ser um país machista, faz parte da nossa matriz cultural. E o feminismo, ou melhor, os feminismos, continuam a ser necessários. Não para inverter as regras do jogo, como tanta gente ainda acha, mas sim para as equilibrar. Tão simples quanto isto. Contudo, com tantas direitos adquiridos e um estilo de vida assente na democracia e no ideal da igualdade para todos, é fácil não percebermos bem o que é que realmente está em causa. Daí que eventos como estes sejam tão importantes para aproximarem a população com as suas distintas perpspectivas, e pô-la a pensar em conjunto, de forma participativa e construtiva.

Os programas para Lisboa prometem ajudar a refletir sobre os estereótipos e sexismos associados a questões tão variadas quanto maternidade, minorias étnicas, orientação sexual, mercado de trabalho, acensão de carreira e liderança, mutilação genital, assédio, body shaming, migrações ou masculinidade. Interessante também é a forma plural como estas reflexões nos vão chegar, ora através de debates e workshops, mas também de exposições, documentários, concertos, performances e demais formatos que tenham a igualdade de género como ponto de partida e de inspiração.

Com o Dia da Mulher à porta, muitos outros eventos juntam-se na próxima semana à causa, fora do calendário do Festival, desde a conversa aberta ao público “#O TempoDasMUlheres?”, promovida pela CIG, à segunda edição da ArtsWeek do movimento HeForShe Portugal ou às múltiplas Marchas das Mulheres agendadas para o dia 8 de março, por exemplo. Como diria Gloria Steinem, outra grande autora que tem dedicado a carreira a estas temáticas: “Todos os movimentos de justiça social que conheço começaram com pessoas sentadas em pequenos grupos, a partilharem vivências, e a descobrirem que muitas outras pessoas já passaram por experiências semelhantes”. Juntem-se ao muito que vai acontecer por cá nas próximas semanas. No final de contas, todos nós, homens e mulheres, temos a ganhar com isto.