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Expresso

Carnaval é curtição, respeita o meu não!

Nenhum abusador tem “potencial agressor” escrito na testa. Mas como tanta gente ainda não percebeu sequer o que é o assédio, quanto mais os não-argumentos para validar o abuso, este ano os foliões brasileiros são convidados a tatuar na própria pele a frase “Não é Não” para que a mensagem fique clara. A ideia faz parte de uma série de campanhas elaboradas por ONG’s e organismos governamentais para combater os atos abusivos que tantas vezes acabam com a diversão numa época que devia ser de festa.

Este é aquele tipo de situações que durante décadas aconteceu e que ninguém queria admitir. Sim, a folia do Carnaval no Brasil – tal como tantas outras épocas de folia e ajuntamentos festivos mundo fora – culmina muitas vezes em situações abusivas. Temos o hábito de dizer que “é Carnaval e ninguém leva a mal”, mas quando falamos de assédio, abuso sexual e demais atos violentos, esta frase popular não pode, nem deve, ser dada como desculpa.

Com o tema da violência totalmente em cima da mesa, as iniciativas de sensibilização e combate ao assédio e à indiferença dos demais que assistem a tais situações abusivas, ganha dimensão de ano para ano. Num país onde os índices de violência de género são tão elevados, é muito interessante ver este movimento conjunto pessoas e organizações distintas, através de veículos de informação também distintos, que se unem pela mesma causa. Já não só nas grandes cidades, mas também nas mais pequenas.

Há algo de refrescante nisto que me parece importante salientar: o problema começa a ser assumido, em vez de ser varrido para debaixo do tapete como algo que é simplesmente normal. Tudo isto é um óptimo sinal de evolução de uma situação que não pode continuar a ser considerada aceitável, nem tampouco tolerada como um mal menor. Sinais da consciência crescente dos tempos que correm.

Em plena época de Carnaval também por cá, deixo-vos em baixo alguns exemplos desta ação coletiva contra o assédio. Inspirem-se, partilhem e reflitam um bocadinho. Um dia, espero, já nada disto será preciso.

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foto Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação

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