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Expresso

A luta pela igualdade não vai parar, garantem elas

d.r.

Se tivéssemos de eleger um dos principais dias de 2017, 21 de janeiro encabeçaria a lista. A Marcha das Mulheres, que juntou milhões de pessoas em vários países do mundo, foi épica, com homens e mulheres a erguerem as suas vozes em uníssono contra a violência e a discriminação. Um ano depois estas vozes continuam a gritar. E ontem voltaram a ser aos milhares os que saíram à rua para deixar claro que este não é apenas um movimento temporário, nem tampouco uma moda. Tal como ontem se gritou novamente, “the Time’s up”. O tempo da conivência para com o desrespeito, a intolerância, a discriminação e a hegemonia dos poderes abusivos instituídos está a esgotar-se.

Tal como há um ano, esta marcha coletiva que uniu países, cidades e cidadãos não foi apenas sobre Donald Trump ou sobre o movimento #MeToo. Foi precisamente sobre tudo e todos os que o Presidente norte-americano e os agressores envolvidos em crimes de assédio e abuso sexual de Hollywood representam com as suas ações. Pelo segundo ano consecutivo, este foi um protesto contra o desrespeito pelo próximo, o sexismo, a ofensa gratuita, a discriminação, seja ela qual for, o abuso de poder, a agressão que sai impune, o fascismo, a demonização das minorias, o tráfico humano, a injustiça salarial, a falta de capacidade ou de vontade de olhar para o a realidade que nos rodeia e de conseguir refletir sobre o que é óbvio: estamos longe de viver num mundo igualitário, justo e pacífico. O momento é de consciencialização coletiva, e esta é uma verdade inequívoca.

Em vez de me repetir o que tantas vezes por aqui já foi escrito e debatido, opto por partilhar convosco os discursos chave de quatro figuras que ontem desfilaram na Marcha das Mulheres.

Três discursos, uma mensagem comum

Viola Davis: “Falo hoje aqui não só pelas mulheres que fizeram parte do #MeToo, no qual eu também participei, mas porque estou ciente de que enquanto eu levanto a minha mão, há muitas mulheres que permanecem em silêncio. Mulheres que não têm rosto. Mulheres que não têm dinheiro, que não têm a Constituição, que não têm a confiança, nem imagens dos nossos media que lhes passem a autoestima suficiente para sentirem que vale a pena quebrar o silêncio. O silêncio que está enraizado na vergonha e no estigma associados ao abuso sexual”.

Natalie Portman: "Quando eu tinha 13 anos, a mensagem que a nossa cultura me passou foi clara: eu tive a necessidade de cobrir o meu corpo e de inibir a minha expressão artística e o meu trabalho para poder dizer ao mundo que eu sou merecedora de segurança e de respeito”.

Scarlett Johansson: “Avançar no empoderamento feminino significa que a minha filha vai crescer num mundo onde ela não precisa de se tornar numa vítima do que se tornou a norma social (...) A igualdade de género não pode existir apenas fora de nós – deve existir dentro também.”

Eva Longoria: “O que estamos a reclamar é por uma mudança sistemática e sustentável daquilo que é ser-se mulher e rapariga nos Estados Unidos. Uma mudança de um estado de medo e intimidação para um estado de respeito. De dor e humilhação para segurança e dignidade. De marginalização para igualdade salarial e de representação”.