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Expresso

Lição contra o machismo dada por uma miúda de 17 anos

“A violência de género não é apenas física. Nós conhecemo-la desde a infância e somos perseguidas por ela até o fim. É agora ou nunca”. A frase fecha um belíssimo texto de uma mulher espanhola, que há uns anos se tornou viral nas redes sociais com o ensaio “Que menina bonita!”. Agora, uma rapariga de 17 anos voltou a colocar as palavras de Ro de La Torre numa espiral de discussão, tudo graças a um trabalho de escola que merece ser visto, partilhado e discutido. Não só dentro das salas de aula, mas também em casa, onde toda a nossa formação pessoal começa – ou devia começar.

Quando o colégio Siloé de Albacete lançou o seu concurso anual de curtas-metragens, conta o El País que Alicia Ródenas soube de imediato qual seria o tema do seu trabalho: a discriminação de género. Uma opção que me parece sintomática não só do peso que tal tipo de comportamento ainda continua a ter na vida das novas gerações, mas também de movimentos claros relacionados com a não aceitação de algo que é um ataque à liberdade e dignidade pessoal de cada um de nós. Alicia sabia que tinha de falar sobre isto, mas o que a adolescente de 17 anos não sabia era que a sua curta-metragem iria galgar não só as fronteiras da sua própria escola, como também as da sua cidade e até mesmo as do seu país.

Depois de ter pedido autorização à autora do texto, a jovem fez a sua própria interpretação dramática do ensaio em frente a uma câmara e o resultado é verdadeiramente arrebatador. Ao todo, são mais de cem comentários e pensamentos sexistas que condicionam irremediavelmente as vidas de milhões de meninas e mulheres desde a infância. Comentários perigosos, embora muitas vezes totalmente subtis, que durante décadas fomos educadas a considerar simplesmente normais. Garanto-vos: é impossível uma mulher ver isto e não se rever em alguns – diria mesmo, muitos - deles. Tal como me parece impossível que, ao ouvi-los pela boca de miúda de 17 anos, não paremos por um segundo que seja para refletir no impacto que eles têm em quem os ouve vida fora.

Mais do que me alongar em palavras, prefiro que oiçam o ensaio de Ro de La Torre pela voz de Alicia Ródenas. Uma lição de civismo em tom de reflexão, que tem tanto de intimista quanto de brutal. Não me admira que depois de terem visto isto, os professores do colégio tenham decidido que o vídeo iria passar a fazer parte do programa escolar, servindo de ponto de partida para a discussão sobre algo tão importante e basilar como a igualdade. Um direito consagrado de todos nós.