Siga-nos

Perfil

Expresso

Guterres, o feminista? 

epa

Foi ontem, em Nova Iorque, que António Guterres discursou na sessão de abertura da 61ª sessão da Comissão sobre o Estatuto Social e Jurídico da Mulher, um dos maiores encontros anuais para se debater as questões de igualdade de género no mundo. Um discurso muito direto, sem papas na língua e que meteu o dedo na ferida: "Os homens ainda dominam, incluindo em países que se consideram progressistas”.

Já aquando do Dia Internacional da Mulher o secretário-geral das Nações Unidas tinha dito que “a verdade é que seja a norte ou a sul, a este ou a oeste, ainda temos culturas dominadas por homens em todo o lado”. Na altura, tal como ontem, defendeu que é urgente criar políticas que promovam a igualdade de género no mundo e uma maior proteção das mulheres que estão em situação de vulnerabilidade, relembrando que questões como a violência sexual, os casamentos forçados ou o tráfico de pessoas são problemas que não podem continuar a ser desvalorizados e que merecem ação urgente. Ontem, chamou-lhes mesmo “armas de guerra físicas e psicológicas”.

Nesta cimeira dedicada às mulheres - que se desenrola até dia 24, com a presença de milhares de representantes governamentais e da sociedade civil do mundo inteiro, incluindo Portugal – o tema principal em discussão é o papel da figura feminina no universo laboral dos tempos de hoje. Um tema sobre o qual Guterres assume que mesmo as Nações Unidas ainda têm muito que fazer, embora tenha cumprido as suas promessas de atenção especial à paridade na organização. Aliás, as escolhas na composição da sua equipa principal revelam não só preocupação com a igualdade de género, mas também com diversidade cultural. Alguns exemplos: para secretária-geral adjunta escolheu a nigeriana Amina Mohammed, a brasileira Maria Luiza Ribeiro foi a nomeada para o cargo de chefe de gabinete e a assessora especial para a área da política é a sul-coreana Kyung-wha Kangé.

Frases sobre as quais devemos refletir

Ontem, num discurso que torna bastante claro porque é que o feminismo continua a ser necessário, tanto em países subdesenvolvidos como nos mais desenvolvidos, Guterres deixou algumas ideias que merecem reflexão. Como é óbvio, enquanto secretário-geral de uma organização que tem como pilares a paz e a segurança, o desenvolvimento e os direitos humanos, tem o dever de o fazer. Para quem não tem paciência para ser ler ou ouvir todo o seu discurso, aqui ficam algumas frases que resumem aquilo que muita gente teima em não quer ver ou sequer aceitar. Mas que, no fim, nos prejudicam a todos

"Num mundo dominado por homens, o empoderamento das mulheres deve ser uma prioridade chave"

"A discriminação contra as mulheres faz soar um claro sinal de alarme sobre a ameaça aos nossos valores comuns. Os direitos das mulheres são direitos humanos e os ataques contra as mulheres são ataques contra todos nós"

“O nosso mundo precisa de mais mulheres em cargos de liderança. E o nosso mundo precisa também de mais homens a erguerem as suas vozes pela igualdade de género”

[Aumentar as oportunidades para as mulheres e meninas é] "vital para responder a uma injustiça histórica que continua ainda hoje”

“Precisamos de uma mudança cultural, no mundo e nas nossas Nações Unidas. Precisamos de ter mais do que objetivos, precisamos de ação”

“As mulheres estão a sofrer globalmente novos ataques à sua segurança e dignidade. Alguns governos estão a aprovar leis que diminuem a liberdade das mulheres, outros estão a reduzir a proteção legal contra a violência doméstica"

"Os homens ainda dominam, incluindo em países que se consideram progressistas. O machismo bloqueia as mulheres e prejudica a todos"