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Expresso

O que é que gordura, músculos e idade têm a ver com beleza?

Quando no início dos anos 60 surgiu a primeira edição de biquínis da Sports Illustrated, o objetivo era simples: a revista precisava de aumentar as vendas. Sem surpresas, a objetificação das mulheres a partir de uma seleção de modelos de tamanho standart, fotografadas em poses sensuais, resultou. Desde então, todos os anos a revista desportiva dedica um número anual às mulheres em biquíni, onde, regra geral, tanto são fotografadas as figuras do momento do universo da moda, como são eleitas as jovens mais promissoras. Mas nos últimos três anos a revista percebeu que se quisesse continuar a ter sucesso teria de ser pioneira naquilo que muitos só agora estão a começar a fazer: quebrar estereótipos de beleza e apostar na diversificação.

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Em 2015 choveram tantas críticas quanto aplausos quando a revista assumiu um encarte publicitário para a linha de biquínis Swimsuits for All, liderada por Ashley Graham, como seu orgulhoso número 42. Um ano depois, a modelo e ativista pela aceitação corporal chegou mesmo à seleção anual de modelos feita pela revista, lado a lado com nomes como Sara Sampaio ou Gigi Hadid. Em 42 anos, foi a primeira vez que a revista incluiu uma modelo com um corpo mais volumoso do que ditam as rígidas regras da moda. No ano passado, a edição de biquínis voltou a contar também com um encarte publicitário onde não só participavam mulheres com maior volume corporal, como também uma mulher com 56 anos. E este ano, a Sports Illustrated volta a ir mais longe.

Mais uma vez, a revista dá palco a Ashley Graham, mas não só. Há também braços e coxas que aos habituais olhos da moda são demasiado musculados, estaturas que não chegam aos 1,45m de altura, outros rabos com celulite e mais barriguinhas proeminentes, daquelas que parecem ofender as leis dos famosos 86-60-86. E acreditem: esta mistura traz uma refrescante naturalidade à revista. Lado a lado com as lindíssimas Bianca Balti ou Lais Ribeiro (ambas modelos associadas aos desfiles da Victoria Secret’s, onde mulher volumosa não entra), a não menos fabulosa Hunter Mcgrady é outra das figuras que veste acima do número 42 e que conquistou o seu lugar na edição de biquínis da Sports Illustrated. Uma edição que também dá palco, pela primeira vez, a figuras do desporto de alta competição, como as sensuais Serena Williams e Simone Bile. Mulheres cuja estrutura física – com “demasiados músculos” – também as rotula à partida como pouco sensuais ou sequer femininas.

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Mais uma vez, o encarte publicitário da revista é dedicado à Swimsuits for All, que este ano não se poupou a esforços para dar as luzes da ribalta também a mulheres de diferentes idades e que nunca foram modelos. Todas elas foram fotografadas em biquíni ou de fato de banho, e o resultado é uma verdadeira celebração à diversidade do corpo feminino, em todas as fases da vida adulta.

Basicamente, um incentivo ao fim dos estereótipos e das inseguranças relacionadas com a imagem corporal. Factores que ainda assombram o dia a dia de milhões de mulheres e miúdas do mundo inteiro.

Não estamos a falar de saúde, mas sim de beleza. E quanto a isso, o conceito não podia ser mais lato, portanto, deixemo-nos de espartilhos: gordura, magreza, musculatura, altura, idade, etnia, deficiências e demais fatores não deviam ditar se uma pessoas é digna de ser considerada bonita ou não. Que tamanha hipocrisia. Tão hipócrita quanto continuarem a chamar “plus size” a modelos que têm corpos volumosos. Se são consideradas “plus size” é porque existe um “the right size”. E isso parece-me muito pouco certo.

Felizmente, este movimento em prol de uma imagem corporal mais positiva e diversificada para que chegou para ficar.