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Expresso

Retratos vivos da dimensão do abuso sexual 

Catarse, coragem, redenção, alívio, confronto, libertação. Todas estas palavras são válidas quando falamos de iniciativas como o Project Unbreakable, que desde 2011 deu espaço a vítimas de abuso sexual para contarem a sua história publicamente. O intuito? Ajudar a que estas pessoas deixem cair o medo e a vergonha, que se possam libertar de uma ínfima parte da ferida que carregam consigo desde o momento do abuso, ao mesmo tempo que participam numa ação de consciencialização social para esta questão. Uma questão que afeta homens e mulheres, crianças e adultos, ricos e pobres, independentemente da sua cor política, raça ou credo. O abuso sexual está entre nós e não pode continuar a ser silenciado.

Este projeto da fotógrafa Grace Brown começou com a missão clara de chamar à atenção para a violência sexual nos Estados Unidos, sugerindo a sobreviventes que fossem fotografados juntamente com uma frase de libertação escrita por si, partilhado posteriormente na página do projeto. A adesão foi tão grande que galgou fronteiras e acabou por alargar o conceito também para as questões da violência doméstica. A equipa que criou o projeto começou a dar palestras em escolas para sensibilizar os jovens nesta matéria, contudo, em 2015 decidiram parar. Em 2017, o Project Unbreakable está de volta (também no Instagram) e a razão é simples: “Dado do clima político que se tem vivido, o facto de um homem acusado de múltiplas queixas de violência sexual estar a tornar-se presidente dos EUA, decidi repostar algumas imagens dos 'Unbreakable'. Estamos de volta. E não vamos ficar calados – pelos oprimidos, pelos marginalizados, por todos nós”.

Ao mesmo tempo, surge também na Índia o projeto How Revealing, focado igualmente em vítimas de assédio e abuso sexual. Criado por mulher de Nova Deli, pretende dar espaço a quem passou por tais experiências para partilharem as suas histórias por escrito e de forma anónima, caso temam represálias. Violência sexual no casamento, assédio sexual que acontece dentro de casa, na rua e na escola, pedofilia, stalking: tal como no projeto americano, em poucas semanas as histórias já são muitas, enviadas por homens e mulheres.

O que para muitos não passa de uma fotografia ou de um simples parágrafo escrito a computador, para outros é um momento de coragem e de libertação. Mas mais do que duas páginas de catarse (como muitos as consideram), eu olho para este projetos como dois retratos vivos, que espelham através de testemunhos reais a dimensão do abuso sexual mundo fora, seja ele nos Estados unidos ou na Índia. É impressionante constatar que a violência sexual continua a  acontecer debaixo do nosso nariz, seja em namoros de adolescentes, no seio familiar, em festas de amigos, na escola, no trabalho ou nas ruas, sejam elas de cidades seguras ou não, de países desenvolvidos ou de terceiro mundo. Se os números já não nos chocam, que estes relatos na primeira pessoa tenham o condão de o fazer.

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