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Expresso

A grande pergunta deste Super Bowl: “O que vou dizer à minha filha?”

Tal como nos anos anteriores as questões de género, desde a violência à desigualdade salarial, voltam a ter palco na transmissão da final do Super Bowl.

E a pergunta que serve de ponto de partida para o que poderá ser o mais mediático spot publicitário desta transmissão, é a seguinte: “O que é que eu vou dizer à minha filha?”. Narrado por um homem, o vídeo tem cerca de 60 segundos, foi realizado por uma mulher e pretende deixar os norte-americanos a pensar na desigualdade laboral entre homens e mulheres.

O vídeo mostra uma menina a participar numa corrida de carros, lado a lado com vários rapazes. O pai observa a corrida e vai partilhando as questões que o assolam enquanto vê a filha a disputar a corrida até à meta: “O que é que vou dizer à minha filha? Vou dizer-lhe que o avô vale mais que a avó? Que o papá ainda vale mais do que a mamã? Vou-lhe dizer que, independentemente da sua formação, da sua motivação, das suas capacidades e da sua inteligência, ela vai automaticamente ser menos reconhecida do que um homem?”.

O spot puxa ao sentimento e termina com uma frase que assume o suposto compromisso atual da marca. “A Audi América compromete-se com igualdade de trabalho e de salário. O progresso é para toda a gente”. Não foram precisas muitas horas para a marca ser inundada de mensagens nas redes sociais, enviadas por internautas que os questionavam sobre a realidade dentro dos quadros da empresa. Sem mentir, assumem que há discrepâncias, mas também assumem publicamente o compromisso de tomada de medidas com vista a reduzir o fosso entre oportunidades e recompensas dadas a homens e mulheres. A intenção é boa, mas só o tempo dirá se tal vai mesmo acontecer. Pelo menos, uma coisa é certa: são um dos signatários do Pacto pela Igualdade Salarial, avançado pela administração de Barack Obama em 2016.

Seja como for, é também de enaltecer o esforço que a Audi tem feito para passar dados importantes a quem os interpela na web: os números relacionados com a desigualdade laboral nos Estados unidos, com link direto para este levantamento oficial sobre o país (cliquem aqui). Estes dados mostram a quem continua a não querer ver que a diferença salarial entre homens e mulheres é, em média, superior a 20%, um número que se torna ainda maior quando falamos de mulheres afro-americanas ou hispânicas. E que independentemente do grau de formação, as mulheres têm sempre uma média salarial mais reduzida que a dos homens nos Estado Unidos.

Claro que a Audi tem interesses comerciais por trás desta ação publicitária e também me parece óbvio que esta bandeira da igualdade de género continua a servir o mediatismo por trás das boa intenções. Mas também há que conseguir olhar de forma global: mesmo que tenha um intuito puramente comercial por trás, é uma mensagem importante e pertinente que se passa às massas. Num evento que é visto por muitos milhões de pessoas, isto tem um impacto bastante positivo: o de talvez pôr algumas cabeças a pensar.