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Expresso

Uma ode fotográfica às mulheres que combatem o Daesh

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São quase dez mil mulheres, todas elas voluntárias. Vestem o uniforme militar, empunham as armas que aprenderam a manejar e partem para o terreno para combater o autoproclamado Estado Islâmico. Praticamente todas elas conhecem alguém, mais ou menos próximo, que passou pelos horrores do grupo terrorista. Homens torturados ou mortos a sangue frio, mulheres vendidas como escravas sexuais e submetidas a um cativeiro onde não vivem mais do que um constante e interminável cenário de horror.

É com isto em mente que as mulheres das Kurdish Women’s Protection Units todos os dias acordam, dispostas a continuar a lutar. Acima de tudo, pela liberdade do seu povo. Mas também pelo fim do sexismo e da objetificação da mulher, que continua a ser vista como um troféu em tempos de guerra. Ou então ridicularizada e menosprezada enquanto combatente. Lembram-se da história de Asia Ramazan Antar? Combateu em cinco batalhas, deu grandes vitórias ao seu povo e morreu na frente de batalha. Mas na imprensa ocidental foi apelidada de ‘Angelina Jolie do Curdistão’ e deu que falar apenas pela sua beleza e não pelos seus feitos enquanto combatente.

Sonja Hamad esteve a acompanhar as mulheres destas unidades de combate e o resultado é um portfólio fotográfico que foi recentemente aplaudido de pé em Braga. “Jin - Jiyan - Azadi | Women, Life, Freedom - The Kurdish Freedom Fighters” é o nome do trabalho desta fotógrafa síria. Nascida nos anos oitenta em Damasco, acabou por ter de se mudar com a família para a Alemanha, país que lhes deu asilo durante um conflito político. Foi lá que aprendeu a fotografar e hoje é Berlim a sua base. Mas nunca se esqueceu das suas origens: a ascendência de Sonja remete precisamente para a realidade da minoria curda Yazidi, que foi alvo de um verdadeiro massacre por parte do Estado Islâmico, em 2014. Até hoje, são ainda milhares as adolescentes e mulheres desta minoria religiosa que continuam à mercê dos jihadistas.

Impossibilitada de viajar para o seu país por causa da guerra, Sonja Hamad decidiu juntar-se às Kurdish Women’s Protection Units para conhecer melhor o seu dia a dia. E depois de duas viagens ao norte do Iraque e da Síria, nascia este maravilhoso trabalho que lhe valeu agora o “Prémio Internacional de Fotografia Emergentes dst 2016”, anunciado durante os Encontros da Imagem de Braga. Fotografias que são uma verdadeira ode à coragem das mulheres do seu país e à resiliência de quem não cruza os braços perante o terrorismo. Mesmo que isso possa significar um confronto diário com a morte.