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Expresso

As mamas de Henry não são um conteúdo impróprio

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Mamas = Sexo. Embora totalmente errada, esta é um assunção comum. Não nada de mal no cariz sexual desta parte do nosso corpo, mas reduzi-la a isso é algo que se tende a fazer sem refletir muito nas razões e consequências. Não é, portanto, de estranhar que as associações e fundações que lidam com doenças relacionadas com a mama, por exemplo, tenham alguma dificuldade em difundir mensagens de sensibilização que envolvam a imagem de uma mama ou de um mamilo. Invariavelmente são censuradas pelos mecanismos automáticos das redes sociais, que as identificam como conteúdo impróprio. Ou então ignoradas pelo público, que ainda continua a ter algum pudor em ver abertamente um vídeo que envolva esta parte da fisionomia feminina. Numa altura em que imagens do corpo desnudo da mulher - mamas semi ao léu incluídas - servem para publicitar desde champôs a calças de ganga, não percebo como é que alguém pode olhar com pudor para uma imagem deste género.

Claro que esta censura automática vai maioritariamente ao encontro da mama feminina e não da masculina. Aliás, esta ‘fobia’ da imagem de uma mama feminina chega ao ponto de ainda se achar, por exemplo, que uma mulher que amamenta um bebé num espaço público está a ser uma exibicionista e que o deveria fazer com mais recato. Ou que as mulheres que fazem topless na praia são umas ordinárias que “não sabem guardar a sua intimidade”. É simplesmente bacoco que ainda se tenha este pensamento, mas a razão da sua existência é simples: na nossa sociedade as mamas resumem-se ao seu cariz sexual.

Cancro da mama: 14 milhões de novos casos por ano

Posto isto, como é que se divulga em larga escala as técnicas de autoexame ao cancro da mama, por exemplo? Para uma associação argentina dedicada a esta doença, a solução passou por um homem. Exatamente, um homem. Se as mamas de uma mulher continuam a ser consideradas conteúdo impróprio, as de “Henry” ( o modelo escolhido ) nem por isso. E foi assim que nasceu este vídeo de sensibilização ao rastreio precoce do cancro da mama, uma doença cujos números não nos podem deixar indiferentes: anualmente surgem cerca de 14 milhões de novos casos, sendo que mais de metade acontecem em países desenvolvidos.

No fabuloso vídeo do MACMA - Movimiento Ayuda Cáncer de Mama, surge um corpo masculino como modelo e umas mãos e voz femininas, que vai explicando os passos básicos a ter em conta no auto exame da mama. Deixando claro que este hábito também deve fazer parte das rotinas dos homens, uma vez que o cancro da mama não afeta só as mulheres. Da totalidade dos casos mundiais, 1% dos pacientes afetados são do sexo masculino.

Por cá, também nunca é demais lembrar que este tipo de cancro não só é o mais comum entre as mulheres, como mata anualmente 1500 pessoas e atinge cerca de 6000 novas pacientes. Os exames de rastreio são cada vez mais necessários, dado que a idade de incidência do cancro da mama nas mulheres também tem vindo a diminuir. Já que a mama feminina ainda não é vista com bons olhos – a não ser quando é preciso apimentar algum conteúdo - aproveitem o peito peludo de Henry para ver como isto se faz.