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Expresso

A vida de saltos altos

Aparência ou capacidades: o que é mais importante?

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Disseram-me que era demasiado bonita para lutar, que ia dar cabo da cara. Disseram-me que era gorda demais, que só as raparigas magras se sabem vestir bem. Disseram-me que era demasiado masculina. Disseram-me que a roupa que eu usava não era apropriada para a minha idade. Disseram-me que o meu nariz era demasiado grande. Disseram-me que devia arranjar os dentes. Disseram-me que o meu cabelo era demasiado volumoso. De uma médica a uma blogger de moda, passando por uma atleta profissionais e até mesmo uma poetisa, estas foram as frases, em tom de crítica, que algumas mulheres representadas na nova campanha da Dove ouviram ao longo das suas carreiras. Faz sentido colocar a aparência em primeiro lugar quando estamos a falar das capacidades de alguém? E ainda por cima tornar esse ponto num entrave à realização e acensão profissional?

Pelos vistos, para muita gente, faz. Num estudo feito pela marca durante a preparação da nova campanha #MyBeautyMySay (parece que aquilo que anunciaram na semana passada vai mesmo ser levado a sério), chegaram à conclusão que 8 em cada 10 mulheres recebem mais apreciações à sua aparência do que às suas capacidades. E isso simplesmente já não faz – ou não deveria fazer - sentido nos tempos de hoje. Uma pessoa não é mais ou menos válida pela sua aparência, mas sim por todo o conjunto de capacidades e características que a tornam uma boa profissional, isto parece-me bem óbvio.

A campanha #MyBeautyMySay retrata seis mulheres que mostram precisamente isso. E aqui ficam dois exemplos: Heather Hardy era considerada demasiado bonita para ser pugilista e foram muitas as pessoas que lhe disseram isso no início da sua carreira. A própria assegura que a beleza nada tem a ver com as suas capacidades dentro do ringue e a verdade é que hoje acumula títulos. Jessica Torres era considerada demasiado gorda para ter alguma coisa a ver com moda, durante anos diziam-lhe que devia esconder o volume do corpo e que o sentido de estilo era coisa exclusiva de mulheres magras. Hoje é uma blogger de moda seguida por milhares de pessoas nas redes sociais.

Se estas mulheres tivessem ouvido e acreditado no que o mundo preconceituoso que as rodeia lhes dizia, os seus caminhos teriam sido outros. Teriam desistido dos seus sonhos, teriam posto as suas capacidades para trás das costas. E porquê? Por causa das expectativas alheias sobre o que é certo ou errado para determinada aparência física. Dividida em seis histórias, contadas em vídeo, a campanha mostra que tal não faz sentido. E que cada pessoa pode ser o que bem quiser, mesmo que não seja dentro do moldes, tantas vezes hipócritas e irrealistas, a que a sociedade se foi habituando a ter como norma.

Se por um lado pode parecer um cliché, por outro não deixa de ser inspirador. E a verdade é que ainda são poucas as campanhas publicitárias que apostam em passar mensagens positivas como esta.