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Expresso

Lennie e Pearl: 50 anos de amor

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2 de junho de 1966. Lennie Gerber e Pearl Berlin começavam a namorar, pondo de lado todos os receios e dúvidas que tinham associados aos sentimentos que lhes aceleravam o coração e que quase lhes faziam explodir o peito. A sociedade dizia-lhes que era errado, a família também. Mas aquele amor “parecia mesmo ser a coisa certa”. E não se engaram. As duas mulheres norte-americanas celebraram este mês 50 anos de vida em conjunto, uma vida abençoada pela cumplicidade, a paixão, a amizade, a ternura, os sacrifícios e a alegria de estarem junto da pessoa que amavam. Serem heterossexuais ou homossexuais não foi o que determinou a sua vida a duas. Foi, sim, o amor que sentem uma pela outra.

Lennie e Pearl deram que falar há dois anos, quando, por fim, o estado norte-americano onde viviam reconheceu oficialmente o seu casamento. Para essa ocasião tão especial juntaram os amigos e a família mais chegada e celebraram a sua união uma vez mais, certas de que a decisão que fizeram há quase meio século não foi errada, mesmo quando todos lhes diziam que era. Lennie e Pearl são felizes porque se amam e, no final de contas, é isso o que mais interessa.

Hoje relembro-vos esta história partilhada pela Human Rights Campaign, em 2014, aquando da legalização desta união, para relembrar a importância do fim do preconceito e da violência a ele associada. O que aconteceu em Orlando este fim de semana é inqualificável. Não foram 50 gays que morreram, foram 50 pessoas, 50 inocentes. Um crime motivado pelo ódio e pela incapacidade de se compreender que as pessoas – todos nós - não são dizíveis por rótulos.

As pessoas são simplesmente pessoas, na sua génese, mais iguais do que muita gente gostaria de admitir. Aliás, basta olhar para o tipo de comentários que foram surgindo sobre isto para se perceber que há muita gente que não acredita, e que ainda continua a ver outras pessoas como seres menores. E enquanto todos nós não percebermos que não se trata de uma questão de tolerância, mas, sim, de reconhecimento da igualdade enquanto seres humanos que somos, por mais diferentes que sejam os nossos rumos, o mundo vai continuar a assistir a massacres motivados por ódios que se dividem em gavetinhas. O ódio contra os pretos, o ódio contar os imigrantes, o ódio contra os refugiados, o ódio contra as mulheres, o ódio contra o muçulmanos, o ódio contras os gays, e por aí fora. Simplesmente não faz sentido.

A história de amor de Lennie e Pearl é uma história de pessoas. Daquelas que nos fazem sorrir pela mensagem que transmitem. Se fossem um homem e uma mulher ou dois homens, a mensagem seria a mesma: a da importância do amor sincero entre duas pessoas. E quer queiram, quer não, é simplesmente isso que todos nós somos.