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Expresso

O que é que os seus filhos responderiam?

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Numa escola inglesa, um grupo de crianças do primeiro ciclo foi submetido a uma experiência bem simples, mas reveladora. O tema escolhido pela associação Inspiring The Future – que se dedica a ações de sensibilização social no meio escolar - tinha como ponto de partida as profissões dos adultos. Quanto ao desafio, era simples: pôr os petizes a desenharem um bombeiro, um cirurgião e um piloto da Força Aérea. Conseguem imaginar o que é que a larga maioria desta crianças fez de semelhante nestes desenhos?

Rabiscos e cores escolhidas à parte, foram as questões de género a conclusão mais curiosa deste jogo. Dos 61 desenhos feitos por aquelas crianças para retratarem estas profissões, em apenas cinco casos as figuras representadas eram mulheres. Nunca durante o desafio os formadores lhes disseram que era certo ou errado partir desse pressuposto, simplesmente ouviram e observaram as descrições saídas da mente de cada uma das crianças. No fim, perguntaram-lhes quem gostava de conhecer um bombeiro, um cirurgião e um piloto da Força Aérea na vida real. Todos levantaram a mão com visível excitação. Excitação essa que foi transformada em verdadeiras expressões de incredulidade quando viram entrar três mulheres com as suas respetivas fardas profissionais.

Pelo meio, algumas crianças chegaram mesmo a perguntar se elas estavam mascaradas e se aquilo era uma brincadeira. E foi literalmente de boca aberta que muitos miúdos perceberam pela primeira vez que as mulheres também podem ter este tipo de profissões. Em 2016, num país evoluído, entenda-se. A experiência foi filmada e o vídeo final é bastante interessante, vale a pena ver.

Mais do que a percentagem de desenhos com enfoque no sexo masculino, são realmente as expressões de espanto na cara daquelas crianças que nos devem deixar a pensar. Sejamos nós educadores ou não. É cada vez mais importante percebermos que estes miúdos ainda têm motivos válidos para pensar desta forma e desconfiar que uma mulher vestida de bombeira não está mais do que disfarçada para uma brincadeira.

A verdade é que a lacuna de mulheres em variadíssimos sectores de atividade – da ciência à política e por aí fora - continua a ser uma realidade, baseada muitas vezes numa ideia altamente pré-concebida de que são profissões para homens. Ideias que começam a ser passadas às crianças em tenra idade, quando ainda não têm sequer estrutura para perceber que simplesmente não fazem sentido. E que as condicionam desde cedo nas suas escolhas. Se todos nós fizermos um esforço para elucidar os nosso futuros adultos e lhes abrirmos o leque de possibilidades profissionais sem estigma relacionados com o género temos todos a ganhar enquanto sociedade. Equilíbrio e paridade refletem-se indiscutivelmente no desenvolvimento de um país.