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Expresso

Pepita: um bebé com um cromossoma extra, uma estrela da web

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Esi Seilern Aspang

21 de Maio de 2015. Espanha via nascer Pepita, uma menina que menos de um ano depois se tornaria num ícone do Instagram. Quase 400 fotos contam a sua história, igual à de tantas outras crianças mundo fora. Pepita a tomar banho, Pepita no parque infantil, Peita a dormir ao colo do pai, Pepita a comer as primeiras papas, Pepita a aprender a dizer adeus, Pepita no médico, Pepita a brincar com os irmãos, Pepita com o seu vestido novo, Pepita a rir, Pepita a fazer birra, Pepita a ser criança. Uma criança amada e feliz. Ah, e com um cromossoma extra.

A primeira foto da página Pepitamola mostra uma mulher grávida, com a seguinte legenda: “Feliz, nervosa, excitada... ignorando a surpresa que nos esperava”. A segunda mostra um bebé encarquilhado num berço e um pai com uma notícia inesperada para dar. A terceira mostra uma mãe nas horas logo a seguir ao parto, com a sua bebé ao colo e a chorar com um misto de tristeza e alegria. Pepita, o terceiro bebé planeado por este casal espanhol, tinha nascido. E como explicam logo na descrição da sua página no Instagram: “Pepita surpreendeu-nos a todos com um cromossoma T21 extra. Agora percebemos que isso a torna extra especial. Com a capacidade mudar o nosso mundo da forma mais positiva possível”.

Passado o choque inicial que, admitem os pais, os fez chorar dias a fio, decidiram abraçar o desafio que esta “Pepita preciosa” seria. E um ano depois são os primeiros a deixar claro que, embora o desenvolvimento de uma criança com síndrome de Down exija outro tipo de estímulo, acompanhamento médico e terapêuticas, Pepita não é mais do que “uma criança feliz”. Nem mais nem menos do que os seus dois irmãos.

A página de Instagram criada pouco tempo depois do nascimento de Pepita foi um género de grito do Ipiranga da mãe, farta dos olhares cheios de pena das pessoas que conheciam a sua história. Uma forma de mostrar ao mundo que ter um filho com síndrome de Down não é um castigo nem um calvário, mas sim uma felicidade. Tal como os seus dois filhos anteriores, um motivo de orgulho constante. Já a sigo há algum tempo e é uma delícia acompanhar o dia a dia desta criança, que amanhã comemora o seu primeiro aniversário. Mas não sou a única a fazê-lo.

Seguida por mais de 80 mil pessoas, esta mãe deparou-se com uma gigante comunidade de outros pais e familiares de crianças com este cromossoma que queriam desesperadamente poder rever-se em alguma história semelhante, mas contada de forma positiva. Com felicidade, pragmatismo, amor, inclusão, esperança e desconstrução de mitos. Pepita, que ainda não tem idade para perceber quão importante a sua história já se tornou aos olhos de milhares de pessoas em todo o mundo, representa tudo isso. Parabéns a ela.