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Expresso

“Ela estava a pedi-las”? Eis o vídeo que satiriza este cliché

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Nos Estados Unidos, abril é considerado o Mês Nacional de Sensibilização para a Violência Sexual. Os números relacionados com agressões sexuais naquele país demonstram por que é que é importante continuar a consciencializar os seus cidadãos para este verdadeiro drama, que afeta a vida de milhões de pessoas. Estima-se que 1 em cada 5 mulheres norte-americanas sejam violadas, algo que acontece também com 1 em cada 70 homens. Quanto a agressões de cariz sexual (como assédio, contacto verbal ou físico indesejado ou coação), 1 em cada 2 mulheres e 1 em cada 5 homens já passaram por situações do género. No que toca às mulheres, 42% das vítimas de violação nos Estados Unidos são alvo da agressão antes dos 18 anos.

O que nenhuma destas pessoas precisa de ouvir quando procura ajuda, são perguntas totalmente desnecessárias, tais como: “O que é que levava vestido?” ou “Tinha bebido?”. Quando falamos de uma agressão sexual, culpabilizar à partida a vítima - seja pela roupa, seja pela maquilhagem, seja pelo facto de estar sozinha à noite ou por o que tinha bebido na altura -, não é aceitável. Nem muito menos relevante. Mas acontece frequentemente.

Para chamar à atenção quantos às inúmeras formas de descredibilização que as vítimas deste crime ainda enfrentam, muitas das vezes por parte das autoridades competentes, o portal PYPO lançou um vídeo satírico onde demonstra quão ridículas – e altamente tendenciosas - estas perguntas podem ser. Levando muitas vezes as vítimas a simplesmente desistirem de apresentar queixa, e aos agressores a sentirem-se em total impunidade. Em ambos os casos, consequências graves.

Ironicamente vestida de galinha, uma mulher responde ao questionário de um inspetor de polícia, que ao longo de toda a conversa vai demonstrando que, no seu ponto de vista, ela só foi violada porque, se calhar, até “estava a pedi-las”. E que provavelmente o que ela nunca devia ter feito era “sair de casa ou ir trabalhar”, porque só isso já é estar a “pôr-se a jeito”. Ora espreitem.

Já há uns tempos falei aqui de um projeto fotográfico australiano que se focava precisamente na ideia do “estar a pedi-las” enquanto justificação para um crime injustificável. Crime esse que na Austrália é um verdadeiro drama nacional: uma em cada seis australianas são alvo de violência física ou sexual extrema por parte do parceiro, pelo menos uma vez na vida. Mais de 73% dessas vítimas são atacadas mais do que uma vez. E um total de 58% dessas mesmas mulheres nunca chega a contactar as autoridades, nem a procurar ajuda médica.

Na Europa, a gravidade desta realidade vai pelo mesmo caminho. No maior inquérito europeu sobre violência sexual - realizado a 42 mil mulheres - concluiu-se que, nos 12 meses anteriores, 3,7 milhões de mulheres tinham sido agredidas sexualmente. Ou seja, uma em cada três mulheres dos 28 Estados-Membros da UE.

Será que todas elas estariam “a pedi-las”? Haja paciência para argumentos que são tudo menos válidos.