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Expresso

Por trás dos piropos ordinários está apenas idiotice?

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Ontem cruzei-me com o canal de YouTube dos DR – Destruindo Relacionamentos, um coletivo humorístico brasileiro que todas as quintas alimenta o seu site e respetivos perfis na redes sociais com vídeos satíricos. Os relacionamentos amorosos, a sexualidade e as expectativas geradas pela sociedade parecem servir de motor de arranque para o trabalho desta equipa. E o vídeo “Como seria se cantadas revelassem a verdade” é um dos seus maiores êxitos.

No final de 2015, muito se falou sobre a eterna confusão entre piropos e assédio sexual graças ao tão badalado artigo 170º do Código Penal. Na altura, tornou-se óbvio: para muita gente, o abuso implícito num “piropo” ordinário, invariavelmente de cariz sexual, não tem nada de mal e as mulheres deveriam simplesmente sentir-se lisonjeadas. O texto de hoje não pretende voltar a dissecar este tema, mas sim falar sobre o que pode estar por trás desta necessidade – que tantas vezes parece algo incontrolável – de se dizerem frases porcas e totalmente fora de contexto às mulheres e adolescentes.

Será que na génese de tais comentários grosseiros está apenas um desejo sexual incontrolável, que leva pessoas mundo fora a dizerem a mulheres que não conhecem e lado nenhum que lhes faziam e aconteciam? Será apenas total falta de respeito, misoginia ou idiotice suprema? Ou será que por trás estão outros motivos como insegurança, necessidade de afirmação perante os outros ou repetição de comportamentos aprendidos na infância?

Com base nesta mesma pergunta, o coletivo DR - Destruindo Relacionamentos fez um vídeo que mostra todas estas opções. Uma forma inteligente e irónica de brincar com um assunto sério, e de tentar desconstruir as razões estruturais por trás dos tais piropos ordinários que muita gente ainda não percebeu que passam a fronteira do assédio. Um tema que tem gerado tanta discussão no Brasil quanto por cá.

Em vésperas de fim de semana deixo-vos o vídeo. Nada como umas belas gargalhadas para terminar a semana de trabalho.