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Expresso

O que é que nos torna bonitos? Eis 14 razões

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FOTO ARTHUR BELEBEAU/#WHATMAKESMEBEAUTIFUL

Catorze mulheres, catorze história de distúrbios alimentares, catorze razões para se sentirem bonitas. Este fim de semana, o Project Heal – uma organização nova-iorquina que se dedica a prestar apoio a mulheres com distúrbios alimentares, incluindo àquelas que não têm possibilidades económicas para recorrer a ajuda especializada – lançou uma deliciosa campanha intitulada #whatmakesmebeautiful que pode ser vista clicando aqui.

FOTO ARTHUR BELEBEAU/#WHATMAKESMEBEAUTIFUL

O ponto de partida para esta ideia é simples: “A beleza não depende do tamanho do corpo ou da cor do cabelo. Simplesmente não pode ser rotulada, só pode ser sentida”, explicou a fundadora do projeto, Liana Rosenman, ao site Huffington Post. “Todos os dias somos confrontados com imagens de ‘corpos perfeitos’ que simplesmente não refletem a realidade e diversidade das sociedades em que vivemos. Cabe-nos a nós desafiar esta cultura de conformidade e alargar a definição do que é a beleza, incluindo todas as idades, tamanhos, formas e etnias. Precisamos de ajudar as pessoas que o seu valor vai muito além da sua aparência física.”

A campanha foi fotografada pelo famoso Arthur Belebeau e surge para assinalar a Semana Nacional da Luta Contra os Distúrbios Alimentares, que no futuro se pretende que seja assinalada a nível mundial. Tendo como ponto de partida mulheres que passaram por longos processos de distúrbio alimentar, são imagens poderosas que pretendem mostrar a outras pessoas que não gostam da sua imagem corporal – e em casos extremos se autopenalizam – que a beleza vai muito além do aspeto exterior. E porquê a escolha de mulheres? Porque são elas as maiores vítimas deste distúrbio mental.

FOTO ARTHUR BELEBEAU/#WHATMAKESMEBEAUTIFUL

Ao mesmo tempo, a campanha lançou um desafio a pessoas de todo o mundo: enviarem fotos suas onde expliquem as razões que as fazem sentir-se bonitas. Sentido de humor, espírito aventureiro, autoconfiança, capacidade de ultrapassar obstáculos, espontaneidade, ser solidária, ser optimista. Os motivos assinalados pelas mulheres da campanha e por todas as outras – e homens também – que enviaram fotos suas são muitos, e todos eles válidos. Não há uma fórmula, nem muito menos um medidor no que toca à beleza. E embora o conceito da beleza interior seja eternamente menosprezado, considerado um cliché ou até mesmo ridicularizado, a verdade é que é tão válido quanto uns olhos pestanudos ou uns lábios bem desenhados.

A beleza ainda causa incómodo

FOTO ARTHUR BELEBEAU/#WHATMAKESMEBEAUTIFUL

A beleza vai muito para lá daquilo que é sexual aos olhos de cada um. Seria muito limitativo se reduzíssemos o nosso sentido de beleza àquilo que nos atrai sexualmente. Quando amamos alguém, quando temos apreço por uma pessoa ou quando a admiramos, regra geral achamo-la bonita. É o caso das avós, por exemplo. Contudo, estamos a habituados a ter pudor da palavra beleza e são raras as pessoas que se consideram bonitas e que o dizem abertamente. O medo do julgamento alheio é sempre muito incómodo. E ao longo da vida vamos sendo bombardeados com estereótipos que, quer queiramos quer não, influenciam a nossa percepção. No caso de quem sofre de distúrbios alimentares, ainda pior.

Tão intimamente ligados a esta questão da imagem corporal, diz o site da NEDA que são estes distúrbios a doença mental com maior taxa de mortalidade em todo o mundo. Dados dos últimos relatórios da Direção-Geral da Saúde sobre a saúde mental e alimentação saudável, revelados no fim de 2014, apontavam para um aumento de 30% de doentes com anorexia no último ano nos hospitais portugueses. E que mais de 400 pessoas tinham morrido com esse diagnóstico.

Que não sobrem dúvidas: as doenças do comportamento alimentar são um problema de saúde pública, cujos sintomas ninguém deve desvalorizar. Perda de peso acentuada, isolamento progressivo, alterações de humor com acessos de agressividade e modificação dos hábitos alimentares são alguns deles. E embora seja mais comum em raparigas adolescentes, a incidência no sexo masculino também tem aumentado nos últimos anos. Tal como em pessoas adultas.