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Expresso

Ser sexy ou não ser, eis a questão

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O que é que uma mulher que vive sob o rótulo de sex symbol tem a dizer sobre sensualidade? Esse foi o desafio lançado pelo site Lenny Letter - criado por Lena Dunham e Jenni Konner, a atriz e a produtora executiva da deliciosa série “Girls” – à modelo e atriz Emily Ratajkowski. O ensaio intitulado “Baby Woman” foi publicado esta semana e é uma reflexão bem interessante sobre quão reprimida e mal interpretada pode ser a liberdade sexual e sensual do universo feminino.

Primeiro, um pequeno enquadramento sobre Emily Ratajkowski: começou ainda miúda a fazer teatro, mas a sua beleza corporal - num mix de “menina em corpo de mulher” - levou a que fosse incentivada pelos próprios professores de teatro a seguir a carreira de modelo. Com 14 anos já era agenciada pela Ford Models. Desencorajada pelo agente a insistir na carreira de atriz – porque só lhe davam papéis da “gaja gira sem cabeça” - dedicou-se só à moda. Deu muito que falar quando apareceu nua capa da publicação erótica “treats”, mas foi definitivamente a controversa participação no vídeo clip da música “Blurred Lines”, de Robin Thickes (que tem mesmo uma versão censurada dado o teor erótico) que a deixou com o rótulo de sex symbol – entre outros, com cariz depreciativo - e com as luzes da ribalta viradas constantemente na sua direção.

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Hoje divide o tempo entre a moda e o cinema e não tem qualquer pudor no que toca a celebrar a sensualidade. Defende o direito ao erotismo e à liberdade sexual e o fim dos estereótipos que perduram associados ao suposto recato que é esperado das mulheres. E à eterna sombra da culpa. Este ensaio – bem honesto, direto e emotivo – é mais um reafirmar da sua posição. “Penso muitas vezes nas mulheres nos seus locais de trabalho preocupadas com o facto de que a sua sexualidade pode acidentalmente ofender, excitar ou criar incómodo nas pessoas à volta. Penso nas mães a tentarem explicar à suas filhas que, mesmo que não tenham culpa, para próxima deveriam cobrir-se um pouco mais. Recuso-me a viver neste mundo de vergonha e de desculpas silenciosas. A vida não pode ser gerida consoante as percepções dos outros. No meu caso, gostava muito que o mundo tivesse tornado claro aos meus olhos que as reações das pessoas à minha sexualidade não são um problema meu, mas sim delas”.

“Ser sexual é algo sujo”

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Num texto bastante pessoal, a modelo explica como a aceitação das formas do seu corpo e o respetivo entendimento da sua sensualidade foram afetados pelos comentários e atitudes das pessoas mais próximas, desde o tio que a avisou para necessidade de se proteger dos olhares dos homens que começavam a reparar no seu corpo, ao professor que um dia lhe ajeitou a alça do soutien em frente aos colegas, alertando-a para a necessidade de mais decoro. “Professores, amigos, adultos, namorados - indivíduos que não eram tão regulados como aqueles no altamente escrutinado mundo da moda, eram os que me faziam sentir desconfortável e culpada pelo desenvolvimento da minha sexualidade”.

Sentimentos esse que a modelo e atriz associa a uma ideia pré-concebida que rodeia o sexo feminino: “Ser sexual é ser suja, porque ser sexual significa para muita gente brincar com os desejos mais secretos dos homens. Para mim, ser sexy é simplesmente uma forma de beleza, de autoexpressão, algo que deve ser celebrado, algo que é maravilhosamente feminino. As adolescentes são apresentadas às ‘mulheres sexy’ através da pornografia e de celebridades altamente alteradas em Photoshop. É mesmo esse o único exemplo que temos para dar de uma mulher sexual?”.

Vale muito, mesmo muito a pena espreitar este texto de Emily Ratajkowski. Deixo-o como sugestão de leitura para este fim de semana: basta clicarem aqui e têm acesso a ele.