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Expresso

Homofobia: A TAP e a Adidas só cumpriram o seu dever

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Três dias depois a discussão continua. Por um lado, até podemos encarar isto como um sinal de que finalmente já se fala abertamente sobre esse grande tabu que ainda é a homossexualidade. Por outro, é também sinal de que continuam a surgir comentários inacreditáveis de pessoas que a censuram e repudiam. A discussão continua porque não se chega a consenso sobre algo que devia ser tão simples. Porque tal como cantavam os Da Weasel há uns anos, “ a tacanhez, essa há de ser eterna”.

Falo da foto da TAP no Facebook que desde o Dia dos Namorados faz furor. Porquê? Porque nela está um casal de mulheres que ganhou uma viagem num concurso promovido pela companhia aérea durante este fim de semana. Os comentários homofóbicos não tardaram, felizmente em muito ultrapassados pelas palavras de milhares de utilizadores que vieram demonstrar a sua indignação pelas críticas e insultos à imagem. Ao que parece, na cabeça de muita gente ainda corre o mito de que um casal tem ser obrigatoriamente constituído por um homem e uma mulher. Enfim, não vou sequer perder tempo a tentar explicar o óbvio de tão idiota que isto é.

Infelizmente, não é só por cá que nos deparamos com isto. Outra das empresas que está a dar que falar desde domingo é a Adidas, que se viu envolvida no mesmo tipo de situação ao publicar uma imagem com pernas de duas mulheres e uma legenda sobre a igualdade e o amor. A caixa de comentários já vai em mais de 140 mil participações, numa discussão ultra acesa precisamente sobre homossexualidade onde, tal como no caso da TAP, a discriminação continua a estar latente.

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A Adidas optou por responder em tom descontraído e manter todos os comentários visíveis. Já a TAP, optou por apagar tudo o que eram frases discriminatórias e insultuosas – algo que ainda está a fazer até hoje, porque elas não param – e publicou uma frase formal onde deixa clara a sua posição: "A TAP cumpre a Constituição e a Lei portuguesas e não faz discriminação em função da orientação sexual. Apelamos a todos os que comentam que utilizem linguagem adequada e não ofensiva e que respeitem os restantes utilizadores e as opções individuais de cada um".

Há muita gente que bateu palmas a ambas as empresas e que disse que estiveram muito bem no meio disto. A meu ver, tanto a Adidas como a TAP fizeram simplesmente aquilo que era o seu dever, nem que seja porque estamos a falar de empresas sediadas em sociedades onde a liberdade no que toca à orientação sexual há muito que foi conquistada.

Sinceramente, repudiar comentários discriminatórios era o mínimo que podiam fazer. E é, por si só, triste e sintomático da tacanhez do nosso ‘primeiro mundo’ que se continue a achar que isto tenha sido um grande feito. Gerir os conteúdos que colocam nas suas redes sociais é essencial e ficarem em silêncio seria muito próximo a compactuarem com discursos de ódio relativos à orientação sexual. Algo que, já agora, está previsto pelo nosso código penal.