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Expresso

O que é que Kate Winslet e Taylor Swift têm para dizer às adolescentes?

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Taylor Swift e Kate Winslet

O momento é de mudança. Mas não só: é também de maior consciência sobre a real importância de esbater as eternas ideias pré-concebidas sobre o papel da figura feminina com que muitas de nós, mulheres de sociedades à partida evoluídas, crescemos. Nunca o empoderamento feminino esteve tão em cima da mesa e se há quem ainda continue a achar que esta conversa não faz sentido e que não passa de um capricho de meia dúzia de feministas frustradas, felizmente também há que comece a refletir nas pequenas subtilezas que têm mantido este tema na esfera do que é fraturante.

A semana começou precisamente com dois discursos de figuras públicas bem sucedidas que dedicaram os seus mais recentes momentos altos para explicarem ao mundo por que é que falar disto é simplesmente necessário. A primeira foi a atriz Kate Winslet, galardoada com um British Academy Film Award, pela sua interpretação no filme “Steve Jobs”. “Dedico este prémio a todas as raparigas que duvidam de si próprias. Não deviam estar com dúvidas, deviam seguir em frente”, afirmou a reconhecida atriz após receber o prémio.

E por que é que o fez? Simples: porque queria inspirar adolescentes que - tal como lhe aconteceu - são desmotivadas de seguirem os seus sonhos por causa de pormenores, como por exemplo, o seu peso ou altura. No caso de Kate Winslet, quando tinha 14 anos ouviu da boca de um professor de teatro que talvez até viesse a ter sucesso caso se contentasse com papéis de rapariga gorda. “Olhem para mim agora!”, gesticulou a atriz de forma irónica. “ O que eu sinto nestes momentos é que todas as raparigas que alguma vez foram desincentivadas por um professor, por um amigo ou até mesmo pelos pais, não deveriam dar ouvidos ao que lhes dizem. Foi isso que eu fiz. Continuei e ultrapassei os meus medos e as minhas inseguranças."

O discurso inspirador da atriz deu que falar, mas menos de 24 horas depois meninas e mulheres de todo o mundo já estavam a ser arrebatadas por mais um momento de incentivo público vindo de outra estrela, desta vez Taylor Swift. “Enquanto primeira mulher a ganhar o Álbum do Ano nos Grammys duas vezes, gostava de dizer a todas as miúdas por esse mundo fora que haverá sempre gente ao longo do caminho a tentar criar obstáculos ao vosso sucesso.”

Estaremos a educar as nossas meninas da melhor forma?

Será que as mulheres estão todas loucas e numa conspiração mundial contra uma discriminação que na verdade não existe a não ser nas suas cabeças? Ou será que realmente devíamos pensar melhor na forma como educamos e formamos as nossas meninas, futuras mulheres? Será que as incentivamos a quererem ser líderes e bem sucedidas nas suas áreas? Ou será que lhes continuamos a cortar as asas com frases que não parecem mais do que pormenores, mas que no fundo têm impacto a longo prazo?

O mesmo com os meninos, atenção. Mas é um facto incontestável que a discriminação de género existe e que o sexo feminino continua a ser o seu maior alvo. Quer gostemos quer não de o admitir, o caminho para o sucesso é tendencialmente mais espinhoso quando se é mulher. Basta olhar para os números de mulheres nos quadros de administração de empresas privadas, por exemplo. Menos competentes? Menos ambiciosas? Menos disponibilidade por causa da maternidade? Parecem-me desculpas cada vez mais ultrapassadas, mas que ainda são usadas como argumentos válidos.

A verdade é que os holofotes estão tão habituados a focar exclusivamente os homens no que toca à liderança que a ferrugem causada pelas últimas longas décadas (séculos!) parece que os impedem de se conseguirem virar para outro lado. Mas aos poucos essa viragem vai acontecendo. E um dia talvez toda a gente perceba que as mulheres não querem melhores que os homens, nem sequer iguais. Querem sim igualdade de oportunidades.